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sábado, 18 de setembro de 2021

Minha experiência com ansiedade e depressão


Tenho mania de me convencer que estou bem. É só uma fase, estresse do dia-a-dia, não é nada demais. E esse comportamento já me levou a cometer erros que me trouxeram momentos de euforia, mas que depois tiveram de ser trabalhados por meses para não me consumirem.

Assim levei por um, dois anos. Aí a pandemia veio e foi a minha oportunidade de lidar comigo mesma. Como a euforia já havia passado há tempos, tirei um tempo para mim. Foram meses de distância e isolamento.

Mas eu não sabia que o "convencer estar bem" já não resolvia. No meio das confusões da minha mente, surgiu um sentimento novo.

Eu não tinha vontade de acordar, de conversar, de fazer nada, na verdade. Quando o sono não me alegrava com horas de descanso, a tv e o sofá me convidavam, e da sala eu não saía.

Até que tudo ficou sem graça. Inclusive os livros que me entretinham. O kindle ficou desligado na mesa de cabeceira. O cuidados que eu ainda tinha comigo mesma se resumiam ao treino diário, a contragosto, e a lavagem do cabelo. A sensação de que a pandemia nunca iria passar era permanente. 

Desde criança fui do mundo, minha infância foi na rua jogando queimada e conversando na calçada de casa. Na adolescência, viajei sozinha para fazer intercâmbio, meus finais de semana eram no shopping andando no meio de gente, preenchendo o sentimento de pertencimento.

Na idade adulta, de alguma forma eu preservei esse pertencer com amigos, eventos sociais, cabine de estudos, salas de aula e a rotina de trabalho em uma sala com quase vinte pessoas.

Porém, o covid tirou tanto da gente, né? Tirou vidas, momentos, futuro e presente. O mais cruel foi que além de tirar, ele também trouxe vários desafios para a mente. 

Meu quadro de ansiedade ficou mais agudo, estourei meu cartão de crédito por vários meses e tive insônia depois das 4 da manhã. Só queria saber de comprar pra sentir alguma endorfina.

Como se não fosse o suficiente, ele me apresentou à depressão que já dava sinais desde a vontade de continuar dormindo. A novidade foi o silêncio, o sentimento de impotência, não sentir eu mesma, e o choro várias vezes ao dia por diferentes motivos ou por motivo algum.

O que me deu a mão foi a terapia, porque desde os tempos de muita bebida, de não saber qual caminho pegar, ela que me salva. Foi ela que me fez procurar um psiquiatra e acabar com tantas preconceitos com a área, que me fez botar tudo pra fora mesmo quando eu não tinha o que dizer e de começar um tratamento que devolveu minha identidade. 

Sei da importância em falar sobre saúde mental, mas foi agora, justo no setembro amarelo, que consegui me abrir e contar a minha experiência. Então se você que me lê, precisa mais que um ombro amigo, tome o primeiro passo com a terapia. Vamos vencer tantas ideias pré-concebidas para não nos perdermos de quem somos.





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