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segunda-feira, 30 de agosto de 2021

O que é para ser e o que não é

Pode-se dizer que tenho tom de determinismo, mas em alguns cenários é preciso encarar dessa forma para manter a razão nos trilhos do futuro que se quer. E falando de escolhas e pessoas, analiso duas categorias: quem não é para ser e quem é.

Quem não é para ser dá todos os detalhes de que o futuro é incerto. Eles são escancarados ao passar das semanas mas toda a intensidade do sentimento ofusca a razão e não consigo enxergar, pois é claramente improvável essa escolha. O outro me confunde, e confunde até a si próprio entre palavras e gestos.

Esse outro nunca diz o que quer em voz alta. Ele clama de um jeito tímido e muito raramente em palavras escritas, porém o olhar denuncia a intensidade da reciprocidade. Ele vive assim,  bloqueando a vida, pois as paredes do medo são as mais difíceis de se escalar.

Do lado de cá, minha renúncia e o risco são maiores, entretanto já quase pulei do precipício, enquanto ele não se arrisca nem um subir um degrau. Talvez eu não teria desistido se não fosse a insegurança, a falta de certeza e compromisso que ele emana. Sendo que, ao mesmo tempo, ele ainda alimenta algo que são exibidos sob o efeito do álcool e com o sorriso envergonhado. 

E após vários sinais, impossíveis de serem ignorados, desilusões e ausência de coragem de ambos, me cansei. Com essa indefinição do lado de lá, cabe a mim ajustar meu retrovisor e eliminar os pontos cegos do meu caminho.

Com apenas a nitidez sendo refletida, é possível expandir meu carinho para quem é para ser, pois a névoa já foi deixada quando ultrapassei a placa de "agradecemos sua visita". Acelero e não leio a parte do "volte sempre".

Quem é para ser segue alinhado comigo em um futuro imaginado em conjunto. Apesar de vivermos uma história longa, temos apenas alguns poucos desentendimentos na memória. Ao manter a velocidade constante, ainda sonhando, nossos passos ritmados em sincronia se concretizam no horizonte e percebo a leveza desse trajeto.

Com todo esse determinismo e excesso de metáforas é fácil chegar a uma conclusão de qual companhia optar. Só preciso relembrar, de tempos em tempos, a cabeça e o coração de não pegar nenhuma saída na estrada principal.


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