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segunda-feira, 1 de junho de 2020

Hoje eu deixo você ir


Entre tantos rascunhos, páginas do meu diário rabiscadas e livros consumidos numa velocidade furiosa como meu eu só conheceu na adolescência, renasce a vontade de me expressar publicamente depois de tanto tempo. E durante esse período caótico de 2020.

Acho que já se passou um ano após a última postagem publicada, pois textos não finalizados na pasta  de rascunho fazem parte desse blog. Eles seguem guardados até eu reler e me identificar em determinadas fases da minha história que continuo escrevendo.

Tem tanto meu por aqui que tenho preferido me reservar ao papel, a um lugar seguro. Porque o último ano foi tão confuso, passei por situações e conheci pessoas que chacoalharam meus princípios e a minha vida como um todo.

Tive que passar 3 meses em quarentena para começar a ter momentos de clareza. E mesmo assim meu coração se aperta e lágrimas lutam para escorrerem sobre as minhas bochechas quando lembro de um rosto, de tantas confidências trocadas e de promessas que poderiam ter sido juradas e vividas.

Mas sinto que essa clareza não veio só para mim. A distância pode ser muito barulhenta quando seguida de silêncio. Mais ainda quando a conversa que antes fluía tão naturalmente morre a qualquer instante e é tão complicada de se manter como se eu tentasse pegar um pouco de ar com a mão.

Agora parece que o último ano passou como um borrão de confusão. Eu me senti tão bem ao lado de certas pessoas que até então eram estranhas. Consequentemente me afastei do familiar, fui injusta e carrego comigo o peso do arrependimento, mas também reconheço que precisei viver algumas experiências para meu olhar voltar a encontrar algum foco.

Sinto, hoje, uma palavra da moda e que nem gosto de usar muito, porque peguei ranço pela banalidade. Mas é gratidão sim. Sou agradecida por ter conhecido e ter vivido ou ter sentido o gostinho do que seria se estivéssemos em um universo paralelo. 

Mesmo agora eu não entendi os motivos de a vida ter jogado com a gente como se fossemos um jogo patético de ser jogado, pois já sabíamos como seria o final. Ao mesmo tempo que seguro o choro quando lembro de algo simples como um sorriso, preciso controlar a emoção quando percebo que voltei a imaginar um futuro antes planejado e que o carinho voltava a ser familiar na rotina. Percebi também que o seu sorriso voltou a ter somente uma direção. Assim eu fico ao mesmo tempo de coração partido e feliz.

Não sei como será quando a convivência retornar, porém essa distância forçada me deu tempo para respirar e perceber minha vida com ausências. Já sinto saudade. Sei que nesse universo não há como ser vivido com nossas vidas tão próximas. Por isso, depois de tanto tempo, voltei aqui pra fazer essa despedida simbólica. Porque quando tudo retornar, devemos seguir rumos diferentes. E mesmo de coração partido, quero que sejamos felizes. Portanto, obrigada por fazer parte de mim e por ter feito parte de tantos momentos, de insignificantes a inesquecíveis.


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