sábado, 6 de maio de 2017

O e-mail que não mandei


Eu aguardo ansiosamente pela resposta do e-mail que não te enviei. Se tivesse seu endereço, também não enviaria uma carta, apesar de saber que você provavelmente gostaria mais do papel que do impalpável.

Afinal, se tivesse te enviado, seriam duas sensações difíceis de sentir. Uma seria o constrangimento de ter vivido tanto apenas nos meus sonhos, de ter te possuído algumas vezes só depois de ter adormecido, mas enquanto acordado, ter imaginado todo tipo de sacanagem com você. Uma outra seria indecisão por não saber como agir, caso fosse recíproco. Várias decisões para tomar, algumas pessoas a magoar e diferentes caminhos para trilhar.

Melhor não ter enviado, nem mesmo nunca ter escrito. A mesma mente da sacanagem também já imaginou palavras formando frases que se transformaram em parágrafos até construir um texto inteiro sem verbalizar.

Penso que tanto recuo ao ponto de não tomar atitude alguma seja o melhor, desse modo você continua sendo minha musa dos quadros que nunca pintei. Porque naquele momento eu precisava de uma paixão, e talvez você também. Tinha-me esquecido de tão bom e confuso era sentir o coração em outro ritmo só de ver você, perder a ordem dos pensamentos quando sentia o seu perfume e te ver cada dia com um batom de cor diferente. 

Mas nós dois já vivenciávamos o amor. E diferentemente da paixão, o amor não é uma variedade de batons, mas sim o conforto da calça do pijama de algodão com um resto de máscara de cílios escurecendo ainda mais as olheiras. Naquela época, eu estava um pouco cansado do pijama e sonhando com  a lingerie vermelha que um dia me atrevi a olhar durante um descuido seu.

E mesmo assim ainda preferi o conforto. Para que arriscar sendo que você mesma tinha dito que paixão era tolice? Portanto, sigo de pijama até hoje tentando esquecer as marcas de batom que sequer saíram da sua boca.



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