quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

O abraço do adeus




Sei lá se foi indecência do destino, mas uma despedida mais simbólica que aquela não haveria de ter. Não nessa vida.

Marina sabia que provavelmente não se encontrariam mais naquele caos de cidade. Por mais difícil que fosse, todo dia, ao pegar o metrô, desejava que o mesmo destino sacana os fizessem, sem querer, esbarrar no dia-a-dia do outro. Mas por mais que torcesse, sabia que as mínimas probabilidades não ajudariam. Ela não conhecia ao certo o roteiro de Joaquim, mas sabia que seu caminho de casa não o levava àquela direção.

Pois, enfim, era um último breve adeus. Teve pena de todo aquele tempo que deixaram de viver. Entretanto, era também uma espécie de alívio. Não se preocupou com a sensação. Queria estar lá e ponto. Pronto.

Sabia que não faria diferença. No fim nada existiu e talvez tivesse sido tudo uma falta de ilusão meio sem graça.

E quão irônico o destino seria! Tiveram poucos minutos com tanta gente em volta que expressões e desejos faltaram. As palavras foram resumidamente breves. Podia-se apenas perceber a risada desesperada dela e a falta de jeito dele.

Iriam dar um último abraço, um pequeno toque que antes já significou tanto. E assim, o presente impediu. Os olhos dos outros nem notaram. Talvez até tenham percebido alguma tensão do momento e resolveram ignorar o sexto sentido.

E o último abraço nunca aconteceu. O destino já dando gargalhadas de algum lugar não muito longe, os impediu da ação. Marina e Joaquim bem que tentaram, mas naquele instante a pretensão do toque já bastou. 

Ouviu-se um "boa sorte" de um lado e o "até mais" de outro.

Nenhum comentário: