segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Um documentário que mudou o meu dia



Se eu tinha alguma noção de vida enquanto crescia era da importância do sorriso. E alguma coisa dentro de mim já me avisada que aquele riso solto e estridente tinha data de vencimento. Talvez fosse esse o motivo da bebida dos adultos? Eu sem saber acertava à pergunta já com a resposta embutida.

Não sei quando foi que o gosto da vida puxou mais pro amargo que para o doce. Só sei que assim como com a maioria das pessoas, aconteceu. E meu rosto ficou enrijecido. Meu normal era a seriedade e não mais o sorriso.

Talvez sejam as angústias, as expectativas não atendidas, as frustrações. Provavelmente foi tudo aquilo que chamados de "coisas da vida" e depois damos um suspiro profundo na esperança de que passe, sabendo que precisaremos de muitos outros suspiros, pois não sabemos lidar com tudo isso.

Mas no meio dessa tristeza sem explicação aparente desconfigurada no caos do dia-a-dia que ouvi uma indicação de um documentário. Sempre gostei de documentários e corri para assistir.

Talvez esse texto caiba mais no meu outro blog sobre séries e programas de televisão, mas se se tratar apenas do gêneros televisivos. E não é disso que quero falar. Tony Robbins pode ser grosso, direto, objetivo - gosto de gente assim; nunca tive paciência para prolixidade -, mas ele me tocou.

Ele tem um trabalho de tocar a vida das pessoas de modo com que essas mesmas pessoas enxerguem um outro lado. Em vez de se esconder através das "normalidades" da rotina, ele nos força a ir de encontro com nosso sofrimento. Aquele suspiro depois de dizer ou pensar "coisas da vida"? Ele propõe enfrentar.

Claro que é impossível sentir o que aquelas pessoas vivenciaram ao vivo, mas uma reflexão, logo no fim, me fez desabar. Ele desafiou os participantes para que se lembrassem dos momentos de gratidão, todos os momentos felizes e alegres que já viveram.

E eu ali no sofá, tentei me lembrar. No início, fiz esforço. Logo percebi que tenho a tendência de dar mais valor à angústia, à solidão. Mas mesmo assim cumpri a tarefa.

Comecei de trás para frente. Lembrei do dia do meu casamento; da viagem ao casamento da minha irmã; da família estrangeira que ainda me recebe como se filha eu fosse; dos momentos simples com os meus pais e irmãos, na mesa, rindo do passado sem perceber que estávamos construindo outras memórias felizes; recordei das saídas com os meus amigos de faculdade - todas, mesmo às vezes densas, tão leves ao mesmo tempo; lembrei-me das minhas tardes de ensaio da banda quando eu sonhava ainda na companhia da guitarra; revivi outras tardes sentada na calçada com as minhas amigas de infância conversando sobre coisas quaisquer que vivíamos. Tentei relembrar de cada pôr-do-sol apreciado.

No meio de tantas lembranças, chorei e ri no sofá da sala na noite de uma terça-feira. Por um instante, compreendi o significado de gratidão e comecei a aprender - penso ser um longo ensinamento - a enxergar a força das pessoas, independente de qualquer sofrimento. Logo depois do documentário senti necessidade de escrever.

Essa necessidade que surge quando me permito sentir mais um pouco e que talvez seja uma das minhas maiores gratidões por todas essas experiências que a vida tem me proporcionado. Só digo uma coisa: permita-se a sentir e tente Tony Robbins.

Um comentário:

Jaya Magalhães disse...

Renata,

Que você se permita sempre! A vida sempre traz seus baques, né? Eu tive essa fase de fechar o meu sorriso, assim que fiz a primeira grande mudança na minha vida. Era uma mistura tão grande de tudo que eu não conseguia ser quem era. Daí então, alguns poucos anos depois, sorri solta, como sempre havia feito. E nunca mais deixei isso ir embora. Porque é o que me alimenta. E é também o que alimenta que convive comigo. Eu já escrevi um dia: meu primeiro carinho é o sorriso. É também o primeiro carinho que levo. Leve.

Então leve. E entregue. Sempre.

Beijo meu.

P.S.: anotei a dica e quando puder ver, te conto o que achei.