segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Meus escritos


Eu acho que todo escritor sente demais. Talvez seja esse o motivo da necessidade das palavras. Expressar soa como um alívio instantâneo. Não é todo mundo que sente isso.

Conheço muita gente assim. A gente se reconhece pelo olhar. Sabe duvidando que o outro sente o mesmo. 

Quando as frases escapam das páginas e ganham força com a voz, a gente se identifica. Só outro escritor para entender a sensação. Ninguém mais lê cada letra com a mesma intensidade como quem a escreveu.

Desde cedo tive isso. Sempre gostei das palavras. Apesar de odiar gramática na escola, fiz campeonatos para disputar a velocidade em que se devorava os livros e rabisquei algumas canções. Tudo na mesma época.

Mas foi junto a presença dos livros que a minha redação desenvolveu. Ganhei meu primeiro 10 no primeiro ano do ensino médio em uma prova de texto. Graças àquela nota a minha média escolar melhorou e não fiquei de recuperação no bimestre. Meu boletim foi entregue a mim na sala, e não aos meus pais posteriormente.

Graças à redação que conquistei minha profissão. Nem sabia direito o que os jornalistas faziam. Ignorei a etapa da apuração, porque eu só gostava de quando tinha todos os fatos comigo. Ali era o momento de escrever tudo que descobrira. Aquele instante era o motivo do meu diploma.

Seria realmente possível viver do que se gosta? Vi gente correndo esse risco, mas sou certinha demais e não consigo viver de incertezas.

Outro dia conversei com um amigo sobre o tabu cristão da penitência. O sacrifício presente no imaginário do homem. Para se viver tem de sofrer. Talvez eu seja mais cristã do que prometi nunca ser e continuo a postergar sonhos e a me apoiar no estabelecido.

4 comentários:

Thamires Figueiredo disse...

"Eu acho que todo escritor sente demais. Talvez seja esse o motivo da necessidade das palavras. Expressar soa como um alívio instantâneo. Não é todo mundo que sente isso."
Exatamente assim..

Beijos querida!

Thalízia Magalhães disse...

Que lindo Renatinha! Minha amiga você descreveu o que todo escritor sente ! Me identifiquei com seu texto! Demais! bjos!

Jaya Magalhães disse...

Renata,

Que bonito tudo o que você disse. No todo, da escrita em si, e no amor que você sente pela sua profissão. Na apresentação do meu livro, eu encerro falando assim: escrevendo sou possível, aconteço.

E existe verdade maior? Que bom que a gente não precisa de nada pra ir além. Basta uma folha em branco e algo que se rabisque.

Beijo meu.

Larissa Fonseca disse...

Céus, como as palavras que introduzem o texto são verdadeiras... Há alívio maior que aturar uma ideia fazendo birra na sua cabeça até que ela amadureça e, só então, você possa passá-la para o papel?