segunda-feira, 18 de julho de 2016

O beijo dos lábios que nunca se encontraram


Acordou assustada no meio da noite. Alguém teria ouvido? Era madrugada e ela havia sonhado com ele. Jordana achou que tivesse superado, mas a memória de William ainda lhe rondava.

Bastou desabafar sobre aquele desejo secreto e proibido que se chamava William para a irmã. O subconsciente preparou uma surpresa: um sonho - que pareceu durar horas - com ele. Isso porque na presença da irmã disse que havia esquecido aquela história que na verdade não se tornou história alguma. 

Para William, nunca teve coragem de dizer nada. Bem que hesitou em alguns momentos, mas achou melhor deixar apenas na sugestão. Contudo isso não significava necessariamente que não ensaiou nomear com palavras tudo o que sentia, ou sentiu. Não sabia mais.

Naquele sonho, ela tomou coragem. Durante o sono, Jordana sentiu os lábios molhados e macios de William. Até lá, em que a realidade não existia, eles demoraram para se encostar, mas quando aconteceu... Tudo que ela se lembrava era da sensação. 

Jordana sabia que não iria abrir mão dele. Talvez William, no sonho, também não, pois se viram e se beijaram em várias outras ocasiões. De madrugada não se recordava onde foi que os lábios haviam se encontrado pela primeira vez, porém se lembrava que depois se beijaram no carro, no sofá, em um bar e até em uma garagem de uma casa qualquer. 

No sonho não havia complicações. Eram apenas as dois lábios inseparáveis que se esqueciam de todo o resto; na verdade naquele lugar não existia resto algum.

Mas quando acordou de madrugada, torceu para o nome de William não ter-lhe escapado da boca. Era o seu segredo e nada dali aconteceria. Olhou a escuridão do quarto e ouviu a casa silenciosa.  Respirou aliviada e tornou a fechar os olhos. Esperava ver o rosto de William mais uma vez em outro sonho. Queria lhe dar um último beijo.

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