quarta-feira, 27 de abril de 2016

Coisas de pele


Negou, pois não era certo. Ía contra todos seus princípios e promessas. Mas ele ainda não conhecia um sentimento poderoso, que tira a concentração e o rumo de qualquer um. Nem sabia o nome direito.  Só tinha certeza de um detalhe: era coisa de pele.

Necessidade de tocar pele com pele, cheirar o perfume mais de perto, sentir o gosto e ver todos os detalhes daqueles rabiscos. Quando a ameaça se afastou, respirou aliviado, pois poderia mais uma vez viver conforme os princípios, afinal era muita coisa envolvida. Muita gente e sentimento em jogo.

Achava que tinha passado. "Livre de um problemão", pensou. Mas estava enganado. Foi só se aproximar de novo. Parece um imã, se tá perto, quer mais perto e se esquece mais uma vez das consequências, porque a pele fala alto de mais.

Pensamentos confusos mais uma vez. Cabeça e coração dizendo um nome, mas a pele gritando por outro. A confusão era tão grande que até a vontade de escrever no meio de um furacão apareceu. Talvez isso tudo fosse sinônimo de inspiração. Sentia falta de escrever assim, com a alma limpa, sem disfarces nem insinuações.

No fundo gostaria de se expressar dessa forma, sem sorrisos bobos ou olhares comprometedores - ou seria tudo coisa da sua cabeça? Talvez fosse mesmo recíproco, quase certeza. Ou não? Provavelmente nunca saberá ao certo. Afinal, ela apareceu em tempos errados.

Há aquele lado que quer ver no que daria, só para se sentir o diferente e experimentar novos toques. Mas no meio disso tudo, hoje, já sabe distinguir sentimentos e valorizar o peso das promessas. Não quer complicar a realidade com uma confusão platônica apenas.