quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Entre diferentes caminhos

Ela tinha prometido que não se tornaria militar, primeiro porque nunca foi muito fã das forças armadas e depois porque não conseguia imaginar uma vida de tantas mudanças. Sua melhor amiga era filha de militar e, mesmo tão próxima, não se lembrava em quantas cidades ela já tinha morado.

Depois de adulta não casou com militar, mas já estava na terceira cidade, sem contar a época fora do país. Como nem deu um ano no exterior, a experiência não entrava nessa conta.

A segunda mudança foi difícil. Mas não dependia dela, então foi assim mesmo. O período de transição e adaptação é sempre um desafio. Apesar do lugar diferente, os objetivos eram os mesmos e a vida meio que seguiu em frente e ao longo do caminho construiu laços que mudariam outra vez os rumos do seu destino.

Terminou os estudos e os prolongou mais um pouco. Arranjou um trabalho legal. Pagava as contas mínimas que tinha, juntou uma boa grana pro futuro e aproveitou a jornada até a próxima cidade.

Agora, já na terceira cidade desse país tão imenso, se vê novamente construindo raízes. Mais uma vez se perdendo nas ruas, aprendendo a lidar com o trânsito louco local, tentando viver com a insegurança de diferentes esquinas, mas feliz por tantas opções que esse lugar a oferece.

Alguns dias São Paulo é cruel. Nada ajuda. A cidade mais populosa não é gentil, ela não tá nem aí. Mas há dias que ela lhe abraça e mostra seu lado mais bonito. E nessas horas, elas se abraçam e constroem juntas mais uma história.

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