segunda-feira, 21 de abril de 2014

Intercambista outra vez



Eu sou suspeita para falar sobre viagens. Não consigo entender de jeito nenhum o  fato de alguém não gostar. Fui abençoada por viajar desde pequena. Meus pais sempre fizeram poupança para viajar pelo menos uma vez ao ano. Se viagem não eram férias.

No meio da adolescência, na certeza da razão e no auge da rebeldia, decidi fazer intercâmbio. Sonhava com Nova Iorque, mas acabei em Minnesota. Nunca nem tinha ouvido falar do estado. Sabia onde ficava Wisconsin por conta do seriado “The 70’s show”. Você também? Pois é, Minnesota é do lado.

Vi muitas fotos de neve. Estava empolgada. Na minha primeira viagem ao exterior fui para ficar alguns meses. Mas não dei sorte com a primeira família e mudei de cidade, descobri que não sou de muitos amigos, não me adaptei ao frio, nem à neve.

Isso aconteceu em 2007. Há umas semanas voltei na casa da segunda família que me recebeu. Visitei os voluntários da empresa que me embarcou. E andei pelas estradas planas (muito mais plano que o planalto-central) de Minnesota novamente.



Foi muito difícil na adolescência. Voltei para casa antes do previsto e virei chacota de muito parente por não ter conseguido ter completado o programa.

Mas esse mês foi diferente. Me senti em casa. Aquele cheiro de comida de mãe, sabe? Eu senti lá, com a minha segunda mãe.  Jantar ao pôr do sol, a prece antes de comer, a lareira acessa. Tudo parecia o mesmo. Os sete anos não se passaram.

Eles me acolheram mais uma vez e me senti em casa em Minnesota. Era a minha casa, ora essa! Deu vontade de me repartir em duas para uma sósia minha viver lá de novo e fazer as coisas um pouco diferentes.

O estado que eu nem sabia existir virou minha segunda casa. Já tinha virado durante o intercâmbio, mas agora virou de coração. Cinco dias felizes e muito curtos naquela casa, com aquelas pessoas.


Hutchinson, ainda te vejo de novo!

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