segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Perdida nesse mundo

Mudar de cidade é perder um pouco de si.



Em 2006 me perdi por duas vezes. Saí de Goiânia e logo depois fui morar um período nos Estados Unidos.

Mudar de cidade dentro do próprio país é um baque gigante. Mudar de país é demais. Além de tudo, tem que se virar com os diferentes costumes e idioma.

Observei, me acostumei e me adaptei o máximo que pude. De volta pra casa em 2007. Mas já não era minha casa, era outro lugar. Era o Distrito Federal. Pela segunda vez deixei Goiânia e não voltei.

Deixei pra trás família, amigos, escola e a minha vida toda. Mais uma vez procurei me adaptar. Brasília é muito diferente de todas as cidades desse mundo. Os endereços são compostos por números e o pessoal daqui não tem o costume de esclarecer se é norte ou sul. A cidade é pequena, não é tão grande como eles gostam de tirar onda com os goianos. Considerando apenas o plano-piloto, 32 quadras.

Poucos semáforos, o metrô trilha apenas o lado sul do DF, ruas largas, o uso constante da quinta marcha e velocidade média de 80 km/h, motoristas que respeitam os pedestres, mas não respeitam uns aos outros com a mania de costurar os carros só pra não esperar um minuto sequer.

Talvez meu destino me mande, em  breve, pra outra cidade, pra me perder outra vez. Pela terceira vez. 

Agora sim, cidade grande. Mas grande demais pro meu bico. São Paulo. 

Essa cidade me lembra muito Goiânia. Gente na rua - o que não se vê na estranha Brasília de carros -, área azul para pagar a vaga na rua, estacionamentos pagos em várias quadras, prédios do lado de casas, cruzamento, bairros...

Apesar de ser bem parecida, São Paulo é 10 vezes maior e é aí que vem a dificuldade de se acostumar. Na capital tem fila pra tudo: fila pro banheiro, fila na lanchonete, fila de espera no restaurante, fila de carros no trânsito e por aí vai. E o custo para manter um carro? 25 reais a hora do estacionamento... Só eu acho um absurdo?

São Paulo dá uma sensação de claustrofobia esquisita. Goiânia é passado. E em Brasília ainda me sinto uma estranha.

Em Brasília não fiz amizade com meus vizinhos, conto os meus amigos nos dedos e eles se resumem ao período da faculdade, a cidade tem um clima desértico por pelo menos 4 meses do ano e cada quadra esconde o que oferece depois de passar por várias tesourinhas.



Sempre tive a sensação que o mundo inteiro pode ser a minha casa. 
Mas agora me sinto mais sem teto que nunca.