quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Só angústias

Com 20 e poucos anos na cara me vejo mais que acomodada. Espero os dias passarem e sinto orgulho por ter sobrevivido. A mesmice sempre me incomodou, e mesmo assim tenho consciência do modo que levo e sou levada pela vida.

Sou conhecida por ser mais madura que a minha faixa etária. Talvez a culpa seja dos meus pais que me matricularam muito cedo na escola e me acostumei a andar com pessoas mais velhas. 

O fato é que hoje nem encontrar mais com gente eu encontro. Virei bixo-do-mato. Algo que sempre abominei e é característico da família. Fiz a lista para meu chá-de-lingerie hoje. Minha melhor amiga (sorte que ainda a tenho) insistiu para que eu fizesse e acabei me animando com a ideia. Enfim, fiz a lista. Sete nomes apareceram no meu caderno de anotações. Sete contando minha irmã. Sete contanto a irmã da minha amiga porque se eu chamar só ela não sei se ela viria.

Tive que olhar meus murais de fotos para ter certeza que não havia esquecido de ninguém. Não. São só 6 nomes, sem contar a família, sendo que quatro delas não vejo há meses. 



Acomodei no trabalho, nas amizades... Com 23 anos e com alma de sei lá quantos. Coração triste e mente pensando em outras coisas para não concentrar nessas constatações.

Ao mesmo tempo sinto e sei que Brasília é só uma passagem. E Goiânia é passado. Prometo a mim mesma que não irei ficar como a minha vó preocupada e aprisionada às raízes. São Paulo é um sonho. Cheira a oportunidade e muito medo.

São Paulo é sonho e vontade de sair do conforto. É sonhar alto e colocar em prática. É início de uma nova vida. Vida de casada, longe do tão distante Goiás e do sempre estranho Distrito Federal.

Vida nova prestes a começar. Ano que vem promete. Fim da tão longa e enfadonha pós-graduação, uma viagem longa e muito esperada, casamento e lua-de-mel.

Mas enquanto isso só sonhos. Só conformidade. Só angústias.
A espera infinita do tempo certo.