segunda-feira, 24 de junho de 2013

Uns tantos de gente



Ainda era segunda-feira, mas ela sentia o peso do mundo outra vez em cima dos seus ombros. Tentava evitar os pensamentos que a levaria ao cansaço, ainda no dia inaugural da semana. Eram tantas urgências, tantas pessoas, tantos e-mails, tantas cobranças, tantas tantos...

Alguns dias da semana eram dias de muitos tantos. Eram dias em que ela saía de casa rezando para conseguir chegar em casa ainda viva para levantar no outro dia ainda inteira. Cabeça no lugar e corpo sem nenhum tipo de dor, ou machucado no pé.

Eram dias de correria. Literalmente correndo por corredores cheios de gente. É tanta anotação no bloquinho de papel já tão rabiscado, mas ao mesmo tempo tão novo. Eram várias rabiscos para serem decifrados pela mesma pessoa que os escreveu.

E é compromisso aqui, outro ali, e tem também aquele de lá, já de noite. Não tem hora. Toda hora é hora. Se esquece de dormir, comer, e de fazer qualquer outra coisa além do que tem que ser feito ali. Se esquece da vida fora daquelas portas.

Quando se sai finalmente, com as luzes do corredor já quase apagadas, a sensação é de alívio. Não só por mais um dia ter terminado, mas por enxergar que há muito mais atrás daquela porta. Há outras salas, outros andares e até outros prédios.

Também há mais bloquinhos, cansaços, pessoas e correrias. E no meio de tantas corridas era a hora de voltar para casa e lembrar que tem mais gente. Mais gente que também conta com ela. Mas essa gente também cobra, manda e-mail e diz que qualquer coisa é urgente. Ainda sim ela preferia essa gente que a encontrava já naquele lugar que chamava de casa.

Porque essa gente também a fazia acreditar, a ouvia e dava força quando ela mais precisava. Era uma troca simultânea, pelo menos essa era a intenção. Ela também tentava oferecer tudo que recebia, de positivo. O negativo ela ficava com raiva, engolia e jogava fora.

Mas é só segunda-feira. Ainda há muita gente e vários tantos que a esperam durante a semana. E, mais uma vez, em uma noite de domingo qualquer, ela tentava esquecer tudo aquilo e apenas dormir para viver um dia de cada vez, um tanto a cada momento, e uma gente a cada instante.