terça-feira, 16 de abril de 2013

Sabe quando dói?

Depois de um tempo nem as lágrimas caem mais.Elas também já se cansaram. O sangue não ferve como da primeira vez ferveu. Daquela vez eu me senti uma panela de pressão. Parecia que a qualquer momento eu iria estourar na cara de alguém. Na sua cara.
Outro dia mesmo te disse que vivo e revivo aquela vez. Ainda dói muito em mim. Ainda sinto muita raiva de você. Eu queria ter te largado lá. Ter saído correndo. Me esconder e pegar um táxi pra casa. Não atender seus telefonemas. Te dar um gelo pra você entender o tanto que isso dói em mim. Ainda dói.
Você me pediu desculpas. Me pediu perdão. Até levei pra terapia o assunto. Eu nunca falo isso com ninguém, do tanto que externar isso me machuca. Um ou outro amigo sabe. Agora, a psicóloga também.
Sério, eu tava disposta a deixar pra trás. Até que reparei a mesma situação outra vez. Deixei o sangue esfriar e nem toquei no assunto. Não queria estragar a viagem no meio. Mas no fim não dei conta.
E ontem, outra vez. Dei uma de joão sem braço. Não disse nada na hora. Até me surpreendo como eu posso ser fria, coisa que pensava não ser capaz. Fingir que estava tudo bem. Eu não queria brigar. Outra vez, por causa da mesma coisa de sempre.
Mas no caminho de casa pensei e pensei. Não sou eu que devo esquecer e deixar pra lá. É você que tem que se controlar e parar com isso, em vez de só pedir desculpas e mudar rapidamente de assunto. Eu sei quando você muda de assunto.
E quer saber? As lágrimas não molham mais meu rosto, a raiva não toma conta do meu sangue como na primeira vez, mas a tristeza vem cada vez pior. E a cada vez é pior porque eu sempre lembro da primeira vez. E não, eu não consigo perdoar assim. Não consigo esquecer se a situação se repete continuadamente. E não, não me sinto segura de mim com essa situação me assombrando. Cada pessoa que passa eu vejo como ameaça.Entende?

domingo, 14 de abril de 2013

E você, o que faz quando está feliz?



Não sou alguém que lida bem com pressão. Quando criança tinha medo do dia de provas. Na adolescência, pavor de apresentar trabalho na frente da turma. Agora, são tantos os sofrimentos antecipados. E tantas cobranças.

Mas a diferença é que antes eu não levava a vida tão a sério. Sabia que eu tinha direito a brincar, ainda era hora de errar. Hoje ha momentos em que esqueço que sou permitida a errar, por mais que dizem que não. Porque ter medo de errar dá medo de viver. Dá medo de arriscar. Dá medo de tentar, e derruba a chance de 50% de acerto.

Vivo a vida de um modo sério demais, diz meus pais, meu namorado, minha terapeuta. Tento relaxar, mas os compromissos parecem não deixar minha cabeça. Não consigo viver sob pressão. Sob uma pressão que muitas vezes eu mesma coloco. Claro que há ajuda infortuna de algumas pessoas que não vêem o quanto isso me faz mal.

Recentemente me foi feita uma pergunta: o que você faz quando está feliz?
Isso me marcou. Uma criança, com uma simples pergunta me marcou. Eu só soube responder o que eu faço para desestressar. E outra pergunta me veio:quando eu me considero feliz?

Com toda essa pressão e seriedade me permito ser feliz apenas com um grande motivo. Claro que grandes motivos não acontecem todos os dias. Então me considero infeliz e nervosa na grande parte do tempo?