sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Sem data pra voltar

O lance é que eu quero tudo ao mesmo tempo. Eu quero conhecer o mundo inteiro. Não nasci pra rotina. E quando cortam as minhas asas, não dá ânimo pra aprender a voar mais alto.

Eu tenho fome de mundo. Eu quero ir pro Peru, pro Chile, pra República Tcheca, Áustria, Inglaterra, Noruega e voltar pros Estados Unidos, mais de uma vez. Eu quero andar por lugares diferentes. Eu quero caminhar nos parques no outono. Quero ver a neve esconder o carro. Quero comer comidas diferentes. Quero fazer amor em quartos diferentes. Eu quero abrir a janela e ver outra paisagem..

Eu quero viajar e viajar mais. Pra compensar essa rotina que é difícil de se escapar. Às vezes bate uma ideia louca na cabeça de juntar uma grana e sair sem data pra voltar. Trabalhar com qualquer coisa. Só pra juntar mais um dinheiro e sair outra vez. Abrir outra janela. Devo ter sido hippie na outra vida. Me dá vontade até de ir pra uma dessas comunidades alternativas e esquecer essas coisas que fazem a gente se apegas.

Mas hoje cortaram minhas asas. Eu tava até animada, sabe? Gostando da rotina sufocante e dando o melhor de mim. Mas é triste perceber que o seu valor é baixo. Que os seus sonhos não valem nada. Que os seus planos provavelmente serão adiados. Que o futuro tá bem mais longe do que se pensava. Que todo o esforço feito é barato. 

Eu quero uma passagem de ida. E não quero a de volta.


quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Just ride

Eu não sei explicar muito bem. Não sei direito o que acontece. E quando eu digo que não sei é porque realmente não tenho ideia. Tenho algumas suspeitas, mas nenhuma certeza. Só sei que o coração anda meio triste e a alma com muita raiva. Deve ser ansiedade, eu penso. Tenho esperança que seja só isso mesmo. Ou qualquer fase boba qualquer de baixo astral. É véspera de feriado e nem irei trabalhar na sexta-feira.Eu deveria estar bem feliz, mas me falta algo. É frescura minha, afirmo pra mim mesma. Mas é uma raiva que ferve o sangue quando ouço algo que me desagrada. Sou grossa e você finge que eu não te magoei. É uma vontade de chorar quando na verdade estou pedindo colo, mas sem dar conta de dar o recado. E aí quando você me pede uma explicação eu não sei dar. Talvez flores uma vez ou outra não seria uma má ideia. Talvez se a porta fosse aberta todas as vezes por você, ou eu visse se esforço em fazer isso, eu iria me sentir melhor. Talvez. Não posso prometer nada. Gosto tanto de ser recebida com aquele abraço seu que significa "vem ficar comigo que está tudo bem". Gosto tanto de prometer que vamos dormir juntos e ansiar por isso, mas toda noite percebo que seu corpo se mexe todo quando cai no sono e não me deixa dormir e a gente acaba dormindo separados, mas juntos. Me alegra fazer planos para o futuro, imaginar escolhendo os móveis e a decoração com muito carinho, querendo te agradar e abrindo exceções das minhas preferências. Mas me sinto insegura com essa situação que se arrasta há tempos. Não sei mais se a minha opinião é certa ou se você tem uma certa razão. Somos tão jovens que muitas vezes nos vejo despreparados para tomar decisões realmente importantes. E me corta o coração perceber que não estamos prontos como eu tanto desejo. Mas talvez nunca estaremos e a vida é assim mesmo. Nos joga em algumas situações para que aprendamos na prática. Nada de ensaios. É nessa hora que você me abraça forte, porque em uma hora dessas não tenho nem forças pra pedir pra você entrar.E aí eu ouço:

-Eu te amo muito.
E eu me limito a dizer:
-Eu também.
Quando na verdade eu quero gritar:
- Você é tudo pra mim. Desculpa as minhas grosserias. Não tenho ideia porque estou assim ultimamente e meus melhores momentos têm sido sozinha me entretendo com outras realidades que não é a minha. Mas eu te amo também.


segunda-feira, 12 de novembro de 2012

CD dos meus 10 anos

Hoje eu acordei com vontade de comprar um CD. Bateu uma saudade do tempo em que eu separava, depois de pensar bastante, o CD para colocar no som lá de casa e ouvir música por música. Sem interrupções eu ouvia todas as faixas porque se me atrevesse a trocar de canção ou pausar, o aparelho parava de funcionar e não tocava mais.

Enquanto as músicas tocavam eu olhava o encarte, encarava os cantores e sonhava com um futuro em que  estaria em alguma situação descrita naquelas letras. Tá, confesso que com 10 anos eu suspirava com a foto do cantor também, ignorando o fato de eu ser menor e ele ter a idade do meu pai.

Hoje acho graça de como a música na vida de um pré-adolescente e adolescente faz toda a diferença. A aquisição mais valiosa para mim era um CD. Batia aquela ansiedade em ouvir tudo e ver todo o material que vinha junto. Depois, torcia para a música preferida tocar no rádio, enquanto a secretária lá de casa fazia o almoço. E toda a molecada do bairro sabia da preferência musical do vizinho. Era questão de conversa e amizade.

Fazia tempo que eu não ouvia esse cantores. Teve até um show deles esse ano por aqui. Na cabeça passou a ideia de ir, mas não teria companhia então deixei pra lá. Outro dia resolvi baixar as mesmas músicas que ouvia. E para surpresa minha eu gostei da mesma maneira que gostava naquele tempo. Arrependi de não ter ido ao show, mas prometi para mim mesma que o próximo não me escapa porque hoje não dependo mais de idade nem permissão para ir.

Arrependi também de ter desfeito de todos aqueles CDs. E ao ouvir tudo de novo me vi no escritório lá de casa, onde o aparelho de som ficava, girando na cadeira, ouvindo e cantando todas aquelas músicas.