sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Primaveras


Ela se prendeu. Plantou raízes. Às vezes não quer nem ser aparada. Tem medo da tesoura. 

O lugar onde plantou suas mudas até que não é tão ruim. Demorou pra florescer logo de início porque não foi ali que nasceu, mas depois que conheceu as outras espécies que a rodeavam naquele jardim conseguiu abrir a primeira flor timidamente. Tomou gosto. Claro que se lembra do primeiro canteiro. Ela era regada todo fim de tarde por uma senhora. "Tem que molhar as plantas quando o sol já está frio porque com  sol quente  não adianta nada", ouvíamos ela  ensinando aos netos.

Ela não pensa em voltar para aquele canteiro. Teve lindas memórias recheadas de aromas e cores. Mas também não quer ficar a vida toda nesse jardim.

Sonha em ficar um tempo em um parque bem grandão e quentinho. Ainda tem vontade de conhecer outros adubos, espécies e paisagens. Só de pensar nessa possibilidade suas flores se abrem. E o calor do sol lhe abraça porque sabe que algum parque do mundo te espera. Porque ela sabe que esse é só o início do seu florescer. E que há ainda várias outras primaveras lhe esperando.



3 comentários:

Lilian disse...

Que assim seja.

Luiz Alfredo disse...

Amo os belos sentimentos
plantados em contos
e poemas
o sonho de uma nova primavera
sempre me faz a cabeça
tenho impressão
que as coisas vão melhorar
as flores vão florir
a criança vai sorrir
no seu velocípede
o sol vai iluminar
a vida.

belo mui belo

Luiz Alfredo - poeta

Aline Netto disse...

Ah a vontade de se abster... A conheço tão bem...

Bjs
http://www.alinenetto.com.br/