domingo, 22 de julho de 2012

Tanto Desgosto

Era pra ser fácil, sabia? Assim como eu vejo nas outras famílias. Nas outras casas. Lá há respeito mútuo e as pessoas se enxergam como são realmente. Lá, onde parece um lugar tão distante, as pessoas se gostam e não têm vergonha de mostrar isso. Nos outros lares a convivência é gostosa de dar gosto de ficar todo mundo junto. Não há tantas indiretas, grosseria, ciúme nem inveja.

Mas aqui tem. Não entendia o porquê de quando era criança ter que ficar apenas com as outras crianças. E até quando já era adolescente ser ainda excluída das conversas dos adultos. A sensação era de ser obrigada a frequentar lugares e conviver com pessoas que não me incluíam como eu merecia.

Eu achava que quando fizesse 18 e me tornasse legalmente adulta as coisas mudariam. Esperei mais um pouco, afinal em um dia eu tinha 17 e já no outro, 18. Nada. Entrei na faculdade. Pensei comigo: -sou caloura, talvez mais pra frente eu tenha um pouco mais de respeito. Ainda não. Daqui duas semanas é minha colação de grau e eu não recebi os parabéns ou alguma pergunta sobre como seria daqui pra frente, quais os meus planos ou qualquer outra demonstração de interesse.

Enquanto isso essas pessoas ainda estão mergulhadas na tragédia do ano passado. Mas antes disso foi um susto que passou e antes disso uma declaração não agradável aos ouvidos de muitos. E está completando dois anos desse inferno. O inferno que digo é o clima ruim, pesado, negativo. A questão de não ser respeitada como adulta vem desde muito antes. Talvez com o meu nascimento.

Dizem que é porque os pais apenas enxergam os filhos como crianças. Tudo bem se apegar as memórias da infância, mas tudo errado quando ainda te tratam do tipo: - não esquece o casaco, pega o guarda-chuva, que horas você chegou ontem? E mais errado ainda quando não são apenas os pais. Quando é um conglomerado de pessoas chamados parentes.

E isso corrói. Vai matando aos pouquinhos a esperança de ser tratada como o que se é e não como me vêem. Assim como nas reuniões de família, o clima anda insuportável. Todo ano é uma desculpa pra ver o lado ruim de tudo e se martirizar em um mar de culpas sem fim. E parecem mergulhar nessa mar de sofrimento enquanto sufocada, eu tento sair de qualquer forma. Tudo para não afundar junto.

O que custa ser feliz? Tentar ser feliz? Enxergar as crianças do passado como as adultas do presente? Incluir essas ex-crianças nas conversas? Mostrar interesse? Não era assim que era pra ser uma família? E quem é que vai dizer  que eu não deveria me sentir assim?

Vários questionamentos há anos. Ainda deve haver alguma gota de esperança nisso tudo pra eu sentir o desgosto de viver nesse inferno. Pena que a única saída visível é a minha própria, pra algum lugar que não seja aqui.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Reviravoltas


Tem horas que a vida dá umas reviravoltas loucas que nem a gente, que é protagonista da nossa própria história, entende. E nesse ritmo de mudanças e vai-e-voltas loucos eu me preparo. Preparada para uma nova fase. Conquistas e responsabilidades. E o melhor de tudo: tenho meus planos de volta. New York.

terça-feira, 3 de julho de 2012

O silêncio do telefone

Dizem que Deus às vezes tem um plano diferente pra gente. Eu nunca fui religiosa. Sou dessas que só reza quando precisa e se sente mal por isso.Mas também não tem vontade de frequentar igrejas. Tenho várias opiniões contrárias das que são pregadas aos fiéis.

Nada do barulho do telefone

É muito difícil aceitar esse ditado quando se é uma pessoa controladora e cheia de projetos. É como se tudo caísse, escapasse da firmeza das mãos e estivesse em cacos. Agora é hora de colher todos eles para tentar encaixa-los novamente.

O celular não toca.

O mais desafiador é apertar o pause para aquela viagem dos sonhos, para ser independente e ser adulta de verdade. Complicado é forçar o sorriso no rosto e alegrar a alma. Impossível é ficar um dia sequer sem ter uma lágrima querendo escapar dos olhos.

Nenhum "ring ring" no meu ouvido.

E a vida, injustamente, segue seu curso normal. E você se sente que por mais que corra, está ficando para trás. Nenhuma resposta.

Nenhum telefonema.

E mais e outras tentativas. Nada ainda. Você se questiona se tudo que fez foi o bastante porque a competição só fica mais acirrada. E ainda há quem diga que quando aparecer uma oportunidade, chegarão várias de uma vez. Que será possível escolher.

Mas não, o celular ainda não deu sinal de vida com um número diferente na tela. Com uma oportunidade apreciando minhas qualidades e minha vontade de trabalhar.

Sim, Deus deve ter um plano diferente pra mim. Só pode.