quinta-feira, 26 de abril de 2012

Brincadeira

É de brincadeira, né? Não é verdade que você vai passar um mês longe de mim. Não é verdade que eu vou ter que me reinventar e planejar cada minuto do meu fim de semana para não cair no choro de saudade. 

É só de brincadeira que a gente vai aproveitar o máximo esse fim de semana porque no outro você não vai mais estar aqui. E não é sério que eu estou me imaginando 30 dias sem te tocar, te beijar e sentir seus braços musculosos e quentes em volta do meu corpo frio.

É por brincadeira que você não sofre por antecipação como eu sofro. Que eu acho que sofro mais que qualquer ser humano existente nesse planeta. Que eu vou ligar para todos os meus amigos propondo a mim mesma a gastar o dinheiro que iria guardar só pra tomar aquela tequila com sal e limão e fingir que estou bem sem você comigo naquele sábado a noite em um bar qualquer.

É brincando que eu finjo que esse dia não vai chegar. Não é sério eu morro tanto de amores por você. Não é verdade que você vai pro outro lado do mundo e um fuso horário horrível vai nos separar.

É uma puta brincadeira de mal gosto.

sábado, 7 de abril de 2012

Pôr-do-sol

Todo mundo esquece às vezes. A gente esquece que são as tardes que  muitas vezes são melhores que qualquer noitada.
Quando eu tinha 15 e, depois 16 anos, eram nelas que a magia acontecia. Noite já era hora de voltar pra casa.
E foi por volta dessa idade que eu passei a me conhecer melhor. Percebi que eu era uma romântica incurável e que gostava muito de não ficar em casa.
Sempre fui assim, desde criança. Às vezes meus pais caseiros  teimam em pensar que sou igual a eles. Mas, sempre preferi brincar de bete e jogar vôlei com os amigos na rua do que ver TV em casa.
Na adolescência, depois da primeira desilusão dolorida foi que eu me questionei se o coração teria espaço para um outro amor. A resposta foi negativa por muito tempo. Amor, eu pensava, não se repete.
Mas assim que estava completamente desiludida e consolada o bastante pra viver bem comigo mesma o amor apareceu. Eu percebi que eu nunca tinha amado. Eu, assim como você, tinha tido uma paixão infantil. Era o nosso primeiro contato com um sentimento tão maduro. E era apenas nós dois.Você com as suas piadas sem graça, que só eu rio, e eu com os meus ataques estéricos,  que só você vê graça.
Sabe quando você ama tanto alguém que só de falar desse sentimento pra outra pessoa seus olhos enchem de lágrimas? É assim comigo. Sabe quando um casal se encaixa perfeitamente nos pequenos detalhes? É assim com a gente. 
São assim as nossas tardes juntos. Hoje ao ver o pôr-do-sol ao seu lado. Foi hoje depois de acordar tão agoniada com a minha inquietação de querer fugir da rotina. No meu impulso constante de querer rua em vez de casa, você me acalma. Hoje no lago, sentada ao seu lado, eu senti a plenitude. Ao ver tantas cores no céu, eu percebi que você é a minha cura pro meu romantismo porque você o torna real. Porque é por você que o céu fica muito mais colorido antes de se apagar por completo.


O pôr-do-sol mais bonito é você.