segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Amizade

Pra mim há dois tipos de amizade. Quer dizer, uma nem é amizade, mas vamos chamar assim.

O primeiro tipo é descompromissada. Surge naturalmente, e normalmente ainda nos tempos de infância ou até de faculdade. É aquela amiga que te liga pra dizer nada. Só pra conversar e ouvir sua voz. Saber se a outra está bem. Vocês podem ficar anos sem se encontrarem. Mas quando se vêem é como se nenhum dia tivesse passado desde a última vez. É quem você tem certeza que pode contar, mesmo longe. E a alegria dela é a sua alegria. Sabe aquela pessoa que te faz bem? Que traz seu sorriso de volta? E vocês riem de fatos passados? Diante de quase 600 contatos no Facebook, eu tenho 4 amigas assim. 

O outro tipo faz você acreditar, por um tempo, que ela é sua amiga. Mas assim que a distância aparece, as coisas saem do lugar. É difícil explicar. Sabe quando aquela química entre os casais vai embora, simplesmente? Isso também acontece com amizade. E quando vocês se vêem é porque você marcou e fez de tudo pro encontro acontecer. Ela só compareceu. Se depender dela, ela não não se move e vocês não se vêem. O irônico é que aparecem fotos dela na Internet com outras amigas, e  ela é uma das responsáveis pela logística. Mas nessa hora ela não lembra de você, e sim quando precisa. Quando o momento está difícil. Eu tenho uma "amiga" assim.


Eu quero mais a presença das 4 na minha vida. J,A,H e L.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Closer

Tem horas que não sei descrever como me sinto.Tédio? Incerteza? Desânimo?
Duvido da eficiência da língua portuguesa e acho graça de quem se vangloria pela palavra "saudade" existir apenas no nosso vocabulário.
Grande coisa, eu penso.
Mas e agora, cadê a palavra pra resumir meu estado de espírito?
Uma falta de vontade, saudade de surpresas, busca pelo frio na barriga, expectativa não alimentada.
Nada disso. Chega perto, mas eu queria uma palavra que resumiria.
E até sinto raiva dessa possível palavra, pois ela jogaria na minha cara como ingrata eu posso ser. Egoísta? Mimada?
Melhor que ela nem exista mesmo pra não tornar esse sentimento tão real. Confusa? 
E aí me questiono o porquê de me sentir assim. Rotina?

Mas apesar de não ter uma palavra certa, há um ritmo. Uma batida exata que resume. Nem presto atenção na letra. Não tenho certeza se faz jus ao pensamento. Mas o som sim. Ah o som.






O som sim.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Caramelo

Foi numa dessas tardes quentes depois do trabalho. Ônibus cheio ultimamente tem me deixado meio zonza e até com um pouco de ânsia. A medida que mais gente entra, mas sufocada eu me sinto. Mas o que importa era que pelo menos eu estava sentada.
E foi antes da ânsia vir e depois de festejar silenciosamente o meu lugar no banco que olhei pra frente. Por um momento achei que fosse minha vó, mas depois de lembrar dos fatos, há um pouco mais de 6 meses, caí em mim e percebi que não era ela.
Os cabelos eram os mesmos. O tom era aquele que as caixinhas de tintura chamam de caramelo, ou algo parecido. Entre o ruivo e o castanho. O corte era curto, provavelmente não chegava até os ombros. Mas não dava pra saber porque os fios estavam amarrados, assim como ela costumava usar muitas vezes.
A pele também me lembrou dela. Dava pra notar que tinha a experiência marcada pelos poros, mas penso que aquela mulher no ônibus deve ter feito alguma cirurgia, assim como você fez, quando ainda se preocupava com a aparência, pois quase não havia rugas e a pele era lisinha.
Observei-a, mas não fiz questão de prestar atenção na conversa que ela mantinha pra manter a imagem de minha vó para não quebrar a magia. Eu ainda posso ouvir a voz da minha vó. Sua risada alegre. E faço questão de esquecer seu semblante triste nos piores dias.
Me deu vontade de pedir bença, como dizíamos. E ouvir seu amém e logo um abraço apertado. E me arrependo de não ter me dedicado, pelo menos, um pouco a mais como neta. E me arrependo de não ter conversado mais. E não ter passado mais tempo juntas.
Mas agora é tarde demais. Hoje a mulher estava no mesmo ônibus que eu outra vez. Dessa vez sentei ao lado dela. Talvez numa tentativa besta de fazer um pouquinho mais pela senhora, vó.

Com sua bença peço desculpas por esse texto ter demorado tanto pra sair.