domingo, 22 de janeiro de 2012

Tranças

Trocamos olhares várias vezes durante a cerimônia. Ela ali, com uns 6 anos de idade, e eu, prestes a completar 22. Ela me observava e sorria discretamente. E eu, sem a certeza de que era comigo, olhava a dona do cabelo com tranças com saudade da minha inocência infantil.
Eu me via através daqueles olhinhos que tanto tinham por ver ainda. Eram tantos sonhos, tantas realidades naquele universo de brincadeiras, tantas perguntas sobre o mundo adulto e uma pressa danada para me tornar uma daquelas.
Hoje eu era uma daquelas. Uma daquelas que eu olhava e tanto admirava. Prestava atenção no comportamento. Na roupa. Nos acessórios. No cabelo. E na maquiagem. Uma daquelas mulheres que eu pensava: quero ser assim quando eu crescer.
Mas nessa tarde não eram os meus olhinhos. Não havia mais diminutivo para as minhas características. Eu já era adulta. A idade que está me esperando na próxima sexta-feira me prova isso. Eram os olhos de uma criança.
E para o meu espanto você se atreveu a me cumprimentar depois. Eu sempre fui uma criança tímida e calada. Você teve a coragem de vir falar comigo e eu me assustei. Você perguntou o meu nome e eu perguntei o seu.  Retribuí os tantos sorrisos que você me deu.
O prazer foi meu, Isadora.

5 comentários:

Flá Costa * disse...

então quer dizer que a senhora faz aniversário nesta sexta? é bom eu não me esquecer.

adorei o texto para variar e parei para "me" lembrar com essa idade. toda a inocência... a propósito, que nome lindo o dela!

aline disse...

com seis anos, eu quero o mundo. não gostava de ser criança, porque ninguém me dava a atenção que eu queria. eu falava coisas sérias demais e queria que me ouvissem.
hoje, com 23, adoro crianças, os sorrisos e sutilezas que só elas têm.

Lanier Rosa disse...

Que sensibilidade você demonstrou nesse texto, Rê! Eu nunca vivi isso de olhar para as adultas e querer ser elas, pq eu já me sentia uma. rsrs

Maria disse...

Interessante pensar que hoje somos a imagem de alguém. Tantas vezes que a gente quis crescer, ficar mocinha, fazer coisa de gente grande... enfim...

as tranças pelo menos eu mantive. =)

beijos doces

. disse...

Agora, imagine essa cena de uma vida acontecer contigo em três dias.
Comigo foi assim.

Belo retrato de texto.