sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Sem data pra voltar

O lance é que eu quero tudo ao mesmo tempo. Eu quero conhecer o mundo inteiro. Não nasci pra rotina. E quando cortam as minhas asas, não dá ânimo pra aprender a voar mais alto.

Eu tenho fome de mundo. Eu quero ir pro Peru, pro Chile, pra República Tcheca, Áustria, Inglaterra, Noruega e voltar pros Estados Unidos, mais de uma vez. Eu quero andar por lugares diferentes. Eu quero caminhar nos parques no outono. Quero ver a neve esconder o carro. Quero comer comidas diferentes. Quero fazer amor em quartos diferentes. Eu quero abrir a janela e ver outra paisagem..

Eu quero viajar e viajar mais. Pra compensar essa rotina que é difícil de se escapar. Às vezes bate uma ideia louca na cabeça de juntar uma grana e sair sem data pra voltar. Trabalhar com qualquer coisa. Só pra juntar mais um dinheiro e sair outra vez. Abrir outra janela. Devo ter sido hippie na outra vida. Me dá vontade até de ir pra uma dessas comunidades alternativas e esquecer essas coisas que fazem a gente se apegas.

Mas hoje cortaram minhas asas. Eu tava até animada, sabe? Gostando da rotina sufocante e dando o melhor de mim. Mas é triste perceber que o seu valor é baixo. Que os seus sonhos não valem nada. Que os seus planos provavelmente serão adiados. Que o futuro tá bem mais longe do que se pensava. Que todo o esforço feito é barato. 

Eu quero uma passagem de ida. E não quero a de volta.


quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Just ride

Eu não sei explicar muito bem. Não sei direito o que acontece. E quando eu digo que não sei é porque realmente não tenho ideia. Tenho algumas suspeitas, mas nenhuma certeza. Só sei que o coração anda meio triste e a alma com muita raiva. Deve ser ansiedade, eu penso. Tenho esperança que seja só isso mesmo. Ou qualquer fase boba qualquer de baixo astral. É véspera de feriado e nem irei trabalhar na sexta-feira.Eu deveria estar bem feliz, mas me falta algo. É frescura minha, afirmo pra mim mesma. Mas é uma raiva que ferve o sangue quando ouço algo que me desagrada. Sou grossa e você finge que eu não te magoei. É uma vontade de chorar quando na verdade estou pedindo colo, mas sem dar conta de dar o recado. E aí quando você me pede uma explicação eu não sei dar. Talvez flores uma vez ou outra não seria uma má ideia. Talvez se a porta fosse aberta todas as vezes por você, ou eu visse se esforço em fazer isso, eu iria me sentir melhor. Talvez. Não posso prometer nada. Gosto tanto de ser recebida com aquele abraço seu que significa "vem ficar comigo que está tudo bem". Gosto tanto de prometer que vamos dormir juntos e ansiar por isso, mas toda noite percebo que seu corpo se mexe todo quando cai no sono e não me deixa dormir e a gente acaba dormindo separados, mas juntos. Me alegra fazer planos para o futuro, imaginar escolhendo os móveis e a decoração com muito carinho, querendo te agradar e abrindo exceções das minhas preferências. Mas me sinto insegura com essa situação que se arrasta há tempos. Não sei mais se a minha opinião é certa ou se você tem uma certa razão. Somos tão jovens que muitas vezes nos vejo despreparados para tomar decisões realmente importantes. E me corta o coração perceber que não estamos prontos como eu tanto desejo. Mas talvez nunca estaremos e a vida é assim mesmo. Nos joga em algumas situações para que aprendamos na prática. Nada de ensaios. É nessa hora que você me abraça forte, porque em uma hora dessas não tenho nem forças pra pedir pra você entrar.E aí eu ouço:

-Eu te amo muito.
E eu me limito a dizer:
-Eu também.
Quando na verdade eu quero gritar:
- Você é tudo pra mim. Desculpa as minhas grosserias. Não tenho ideia porque estou assim ultimamente e meus melhores momentos têm sido sozinha me entretendo com outras realidades que não é a minha. Mas eu te amo também.


segunda-feira, 12 de novembro de 2012

CD dos meus 10 anos

Hoje eu acordei com vontade de comprar um CD. Bateu uma saudade do tempo em que eu separava, depois de pensar bastante, o CD para colocar no som lá de casa e ouvir música por música. Sem interrupções eu ouvia todas as faixas porque se me atrevesse a trocar de canção ou pausar, o aparelho parava de funcionar e não tocava mais.

Enquanto as músicas tocavam eu olhava o encarte, encarava os cantores e sonhava com um futuro em que  estaria em alguma situação descrita naquelas letras. Tá, confesso que com 10 anos eu suspirava com a foto do cantor também, ignorando o fato de eu ser menor e ele ter a idade do meu pai.

Hoje acho graça de como a música na vida de um pré-adolescente e adolescente faz toda a diferença. A aquisição mais valiosa para mim era um CD. Batia aquela ansiedade em ouvir tudo e ver todo o material que vinha junto. Depois, torcia para a música preferida tocar no rádio, enquanto a secretária lá de casa fazia o almoço. E toda a molecada do bairro sabia da preferência musical do vizinho. Era questão de conversa e amizade.

Fazia tempo que eu não ouvia esse cantores. Teve até um show deles esse ano por aqui. Na cabeça passou a ideia de ir, mas não teria companhia então deixei pra lá. Outro dia resolvi baixar as mesmas músicas que ouvia. E para surpresa minha eu gostei da mesma maneira que gostava naquele tempo. Arrependi de não ter ido ao show, mas prometi para mim mesma que o próximo não me escapa porque hoje não dependo mais de idade nem permissão para ir.

Arrependi também de ter desfeito de todos aqueles CDs. E ao ouvir tudo de novo me vi no escritório lá de casa, onde o aparelho de som ficava, girando na cadeira, ouvindo e cantando todas aquelas músicas.



quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Correria

Quando vivo dias muito corridos, aqueles que prometem muito cansaço pro corpo, é começo a sonhar com o passado. Todos os dias, no caminho para a parada de ônibus, passo por uma escolinha. Naquele momento desejo ser criança de novo chorando pela ausência da mãe, mas que logo esquece e vai correndo pro parquinho.

Mas ontem pulei essa etapa e lembrei do ensino médio. Achei graça de uma amizade desgraçada. Nunca entendi direito aquela menina. Depois de um tempo desisti de entender e conheci pessoas mais interessantes.  

Enquanto aquela amizade existia, ela se achava. Se eu conversasse com outras garotas ela virava a cara pra mim. Não sei porque cultivei aquela relação. Acho que me faltava personalidade.

Ela olhava minha nota e se vangloriava por ter ido melhor na prova. Ela invejava meus olhos claros e cabelos lisos enquanto alisava e pintava o seu cabelo e dizia ser mais bonita. Se achava cantora e tinha uma péssima voz, jurando que se parecia com seu ídolo. Coitada, ainda acho que com 20 e tantos anos ainda acha isso. 

Lembrei também quanto mudei meu lugar na sala de aula. Foi aí que conheci outras garotas. Mais humanas e mais gentis. Sem comparações entre nós. Ainda não sei o que deu errado e deixei elas de lado e voltei pra aquela estranha. Fui bastante amiga dela, mas ela nunca retribuiu o mesmo.

E depois que esse período sombrio passou voltei pras meninas gentis. E foram com elas que tive os melhores momentos naquela escola. Estudamos, fofocamos, passamos cola, colamos, sorrimos e choramos juntas. Éramos cinco. 

Mas o ensino médio passou e a minha cidade mudou. E ontem bateu uma saudade delas. As conversas com riso fácil, sem disputas, sem preocupação com emprego, nada de vida adulta, da festa surpresa que armaram pra mim quando voltei do intercâmbio.

Hoje mantenho contato apenas com uma delas. Foi com ela que me identifiquei mais. Mas em relação às outras...viramos adultas e deixamos nossas ocupações nos ocuparem tempo demais. Tempo demais para nem mais dizer um oi no Facebook, nem pra avisarem quando vêm pra cá ou pra eu avisar que estou lá.

Tenho saudade delas, todas juntas. Do riso fácil daqueles tempos.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Amanhã é outro dia, não é?


"Quando você tiver que enfrentar a vida, você vai entender". Era algo assim que seus pais lhe diziam. E ele os encarava com olhos arregalados e assustados. Mas no fim do dia ao voltar o pensamento daquela frase, achava besteira de adulto. Afinal, ele também enfrentava a vida. Acordava cedo e lutava contra o sono e a fome naquelas intermináveis aulas de física, química, matemática e todas as outras.

Mas ele não sabia nem da metade. E talvez hoje, quando lembra quase todas as manhãs dessa frase, ainda não saiba de muita coisa, já que costuma ouvir outra coisa. "Você está começando só agora". E nesse começo ele já percebeu várias coisas que passavam despercebidas naquele mundo colorido de antes. Hoje ele é mais acinzentado. O mundo e ele mesmo.

Amizades não são infinitas. 
O amor pode encher o saco.
Traição é mais comum do que se imagina..
Amigo e colega também podem trair.

Com isso tudo e um pouco mais, sua fé no mundo diminuiu um pouquinho. 
Relembrou de uma música.
"Queria ser como os outros e rir das desgraças da vida ou fingir estar sempre bem. Ver a leveza das coisas com humor. Mas não me diga isso! É só hoje e isso passa...Só me deixe aqui quieto. Isso assa. Amanhã é outro dia, não é?" Renato Russo.

domingo, 9 de setembro de 2012

Terno

Bastou um momento. Eu esperava na fila e guardava o seu lugar. Você se virou e foi checar o que estavam servindo no bufê.

Bastou um instante. Foi naquele segundo que eu contive uma lágrima insistente. Uma lágrima de felicidade por saber que você é meu e eu sou só sua. 

Bastou um minuto pra eu perceber que as borboletas estavam outra vez no meu estômago por você. Que a medida que você se afastava, a cada passo dado, eu entrava em pânico porque queria você ali comigo. Não quero que você trilhe seu caminho sozinho. Eu quero estar ao seu lado.

Bastou um paletó e uma gravata pra eu me apaixonar mais ainda. Um terno e um único cabelo comprido.Eu  achava que morrer, mais ainda, de amores era impossível. 

Bastou você voltar pra eu sentir minha paz de novo. Basta só ter você, amor. Percebe?

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Primaveras


Ela se prendeu. Plantou raízes. Às vezes não quer nem ser aparada. Tem medo da tesoura. 

O lugar onde plantou suas mudas até que não é tão ruim. Demorou pra florescer logo de início porque não foi ali que nasceu, mas depois que conheceu as outras espécies que a rodeavam naquele jardim conseguiu abrir a primeira flor timidamente. Tomou gosto. Claro que se lembra do primeiro canteiro. Ela era regada todo fim de tarde por uma senhora. "Tem que molhar as plantas quando o sol já está frio porque com  sol quente  não adianta nada", ouvíamos ela  ensinando aos netos.

Ela não pensa em voltar para aquele canteiro. Teve lindas memórias recheadas de aromas e cores. Mas também não quer ficar a vida toda nesse jardim.

Sonha em ficar um tempo em um parque bem grandão e quentinho. Ainda tem vontade de conhecer outros adubos, espécies e paisagens. Só de pensar nessa possibilidade suas flores se abrem. E o calor do sol lhe abraça porque sabe que algum parque do mundo te espera. Porque ela sabe que esse é só o início do seu florescer. E que há ainda várias outras primaveras lhe esperando.



quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Se ame, menina!

Sempre pagou de bonzinho, jurou amor eterno e até deixou marcado no seu calendário imaginário a data do casamento. Os dois eram só amores. Era tanto carinho que os cantos do apartamento se enojavam daqueles beijinhos, "amorzinhos" e "te amo" que trocavam.

Foram muito felizes. Talvez no início ele achasse que ela era muita areia pra ele e a amava incondicionalmente. Depois guardou essa ideia num potinho miúdo lá no canto, atrás dos produtos já vencidos, na despensa do apartamento. Deve ter bisbilhotado na fresta da janela os potes que a vizinha tinha, tão melhores que aquela ideia guardada.

E foi num dia desses bravos que a TPM deixa a gente com aquela vontade de doce que ela acabou achando aquela ideia. Ela parecia saborosa e doce. Tudo que precisava. Ela deixou o amor próprio de lado e jogou no colo dele. O amor que tinha era todo dele.

Ela, ainda muito menina, acreditou nas promessas e avoada que só achava que tudo que aconteceria com as amigas, aconteceria com ela. Pronto, ele terminou tudo. Suas amigas agora estavam solteiras. "É assim que funciona", dizia. Mas foi desse jeito, meio do nada. "Ok, alguns motivos eu entendo", pensou. Ficou confusa e não entendeu. Uma outra surgiu no meio do adeus.

Mas como o amor dela era todo dele, quando ele pediu pra voltar, não rendeu aos encantos. Os cantos do apartamento ficaram incomodados outra vez com tanto nhênhênhê de casal apaixonado. Era tudo festa de novo.

Minha vó sempre dizia que mentira tem perna curta. E a protagonista da história viveu isso na pele. Ele se relacionou com a outra. Aquela outra do adeus tão dolorido. Tudo bem, pensou, porque estavam separados... Mas a mentira foi contada pelas metades. A metade deixou a vergonha de lado e resolver mostrar o outro lado. A outra surgiu na história bem antes do adeus.

Foi muito choro. Várias ligações para as amigas contando todos os detalhes. Coisa de menina mesmo. Mulheres não têm mais tempo nem mais saco pra isso. Detalhar cada mensagem, cada palavra e cada gesto. Infelizmente o amor dela ainda está com ele. "Ele deve ter roubado de mim. Deve ter pego cada migalha do meu amor próprio e jogado ao redor do seu corpo", pensou.

Não deu outra. Mais uma vez outro perdão. Mais uma vez juntos (?).
As amigas já planejam o sequestro dele. Recompensa: o amor próprio dela.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Girls

Eu tô numa fase bem Girls da minha vida.
Cheguei a conclusão que nada extraordinário vai acontecer daqui há um bom tempo.
Em crise com a vida adulta.
Querendo fazer algo diferente, mas muito cansada pra isso.
E me sentindo uma velha por não ter energia nem disposição pra tentar alguma novidade.



segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Super-ultra-romântica

Mais uma vez eu escrevo pra você, meu amor. 

Eu só queria te dizer que você pra mim é puro amor, paixão e desejo. Com você é natural, assim como a água do mar que bate das pedras. Um contato constante sem machucar. Um carinho permanente quando as gotas se espalham na rocha. E a pedra se deixa molhar. Se lambusa de tanto amor e se gaba pela sorte de estar ali. 

Porque nós somos que nem aqueles filmes super-ultra-românticos que roubam de mim uma lágrima de alegria. Foi assim quando você foi para Argentina me ver no meu aniversário. Foi o melhor presente de recebi. Não só naquela data, mas também na minha vida inteira. Você é o meu presente favorito.

Foi assim quando você foi cuidadoso ao preparar nossa comemoração com rosas no chão. Bastou um comentário meu pra você ir correndo na floricultura.

"Pra você guardei o amor que aprendi vendo os meus pais.O amor que tive e recebi e hoje posso dar livre e feliz. Céu, cheiro e ar na cor que arco-íris. Risca ao levitar"

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Rock star

Eu teria um lindo namorado. E sairia pra balada todo fim de semana. Tudo pra compensar as vezes que meus pais não me deixaram sair de casa. Em fevereiro, no feriado do carnaval eu iria assistir uma escola de samba no Rio. Ah, assistir só não. Deve ser sem graça ficar na arquibancada. Talvez eu sambaria também. E eu ensaiava os passos pra minha platéia imaginária. Todo o jardim me assistia. Lá era onde meu público estava.

No outro dia pintava em um pedaço de papel, no formato oval, a cor marrom. Eu era a Angélica. Colocava uma diadema toda torta na cabeça pra fingir o microfone igual ao da Sandy e da Eliana. Fazia mingau de aveia e conversava com o Louro José na cozinha lá de casa. E meu programa era a tarde, às três horas. Quando a fome batia.

Ah, tudo que eu queria era ter 16 anos logo. Não sei porque sempre sonhei com essa idade. E fiz dela a minha época preferida. Continuava a brincar. Toda quarta-feira por 10 reais a hora, divido por três, alugávamos o estúdio pra fingir ser rock star. Com a minha prática de fazer da área de casa o meu palco, eu era experiente e podia assumir o vocal. A meia-calça rasgada, o all star sujo e a saia xadrez me davam mais confiança. E as aulas de violão me levaram pra guitarra.

Escrever, claro. Também estava na jogada. Não sei da onde que vinha essa sede e facilidade. Ainda não consigo explicar. Mas o meu boletim escolar resumia que a única coisa que eu conseguia fazer bem era a redação. E brinquei mais um pouco. Entrei no jogo pra ser compositora também. Minha colega de banda colocava os ritmos nas músicas. Na mesma facilidade. Em uma tarde tínhamos outra melodia. E na quarta praticávamos.

Se tivesse curso de se tornar um rock star eu teria feito. Em vez disso fiz Jornalismo. Tá legal. Hoje também não gosto de carnaval. Prefiro só curtir o feriado em vez daquela festança toda. Nunca fui pro Rio nessa época. Ainda bem. É, tenho um lindo namorado. Mas não vamos pra balada todo fim de semana. Desde que começamos a namorar acho que só fui duas vezes. Não preciso compensar aqueles fins de semana. Mas eu ainda preciso sonhar. Sonhar em ser uma rock star.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Impossível descrever em um só título

Eu nem devo ter dormido direito na noite anterior. Quando fico ansiosa acordo no meio da noite e meus sonhos se resumem em atrasos e em tudo que pode dar errado. Eu tinha que pegar um ônibus que eu nem sabia qual era. A sorte foi encontrar um conhecido que iria para o mesmo destino: a Católica.

Sonhei por muito tempo passar em universidade federal, mas a minha felicidade não foi reduzida nem um pouco por cursar uma particular. E eu não me importava nem um pouco em ser caloura. "Eu só queria estar ali", dizia Renato.

Primeiro dia de aula: Leitura e Interpretação de Texto. Ali já conheci um cara baixinho e careca que se tornaria um dos meus melhores amigos. Cara de bravo e cheio de questionamentos.

No dia seguinte, Metodologia Científica. Sentei no fundo direito da sala. Lá conheci parte da turma que hoje chamo de amigos. Na quarta-feira, aula da História de Comunicação. Finalmente uma disciplina do meu curso, pensei comigo. Deixei a impressão de metida. E formei opiniões sobre os outros também. E as nossas  impressões serviram de piadas entre nós mesmos depois de alguns semestres.

Foi nessa aula que nos apresentamos e que conheci uma das minhas melhores amigas e um rapaz que senti simpatia desde a primeira palavra trocada. . Naturalmente nos aproximamos. E conheci mais e mais gente.

Semana passada foi a mesma coisa. Minha noite não foi das melhores. Ansiosa por comemorar o fim de uma etapa. Mas o que eu não sabia era que eu ficaria feliz e triste ao mesmo tempo. Estava muito alegre por estar todo mundo ali, naquele lugar de sempre. Por terem preparado uma faixa, balões e várias outras coisas em minha homenagem. Por saber que sou amada do mesmo tanto que eu amo eles. Por saber que por mais que as coisas não estejam indo muito bem nessa nova fase, eles estão sempre ali do meu lado sorrindo e fazendo piada das coisas ruins da vida.

Eu não queria o fim daquela festa. Não via a hora de apresentar o TCC, por mais que tinha me divertido de verdade estudando o assunto. Mas eu não desejava o fim da faculdade. Foi tão bom me livrar do ensino médio, mas a graduação foi algo que sempre sonhei e desejei. Sempre significou muito.

O fim da festa significou o fim daquela etapa tão gostosa que durou quatro anos, mas parece que ainda foi pouco tempo. Significou o início dessa vida difícil de adulta. Significou mais responsabilidade, puxão de orelha, sair de manhã de casa e só voltar a noite, querer não fazer nada no fim de semana por estar cansada demais. Mas também significou que todas aquelas pessoas estarão comigo sempre, que elas me apoiarão e estarão ao meu lado, que todas as vezes que nos encontrarmos teremos os mesmos sorrisos estampados e compartilharemos aquele tempo em que estudamos juntos.

Muito obrigada galera. Obrigada de coração. Foi lindo demais estar com vocês na última sexta-feira!


domingo, 22 de julho de 2012

Tanto Desgosto

Era pra ser fácil, sabia? Assim como eu vejo nas outras famílias. Nas outras casas. Lá há respeito mútuo e as pessoas se enxergam como são realmente. Lá, onde parece um lugar tão distante, as pessoas se gostam e não têm vergonha de mostrar isso. Nos outros lares a convivência é gostosa de dar gosto de ficar todo mundo junto. Não há tantas indiretas, grosseria, ciúme nem inveja.

Mas aqui tem. Não entendia o porquê de quando era criança ter que ficar apenas com as outras crianças. E até quando já era adolescente ser ainda excluída das conversas dos adultos. A sensação era de ser obrigada a frequentar lugares e conviver com pessoas que não me incluíam como eu merecia.

Eu achava que quando fizesse 18 e me tornasse legalmente adulta as coisas mudariam. Esperei mais um pouco, afinal em um dia eu tinha 17 e já no outro, 18. Nada. Entrei na faculdade. Pensei comigo: -sou caloura, talvez mais pra frente eu tenha um pouco mais de respeito. Ainda não. Daqui duas semanas é minha colação de grau e eu não recebi os parabéns ou alguma pergunta sobre como seria daqui pra frente, quais os meus planos ou qualquer outra demonstração de interesse.

Enquanto isso essas pessoas ainda estão mergulhadas na tragédia do ano passado. Mas antes disso foi um susto que passou e antes disso uma declaração não agradável aos ouvidos de muitos. E está completando dois anos desse inferno. O inferno que digo é o clima ruim, pesado, negativo. A questão de não ser respeitada como adulta vem desde muito antes. Talvez com o meu nascimento.

Dizem que é porque os pais apenas enxergam os filhos como crianças. Tudo bem se apegar as memórias da infância, mas tudo errado quando ainda te tratam do tipo: - não esquece o casaco, pega o guarda-chuva, que horas você chegou ontem? E mais errado ainda quando não são apenas os pais. Quando é um conglomerado de pessoas chamados parentes.

E isso corrói. Vai matando aos pouquinhos a esperança de ser tratada como o que se é e não como me vêem. Assim como nas reuniões de família, o clima anda insuportável. Todo ano é uma desculpa pra ver o lado ruim de tudo e se martirizar em um mar de culpas sem fim. E parecem mergulhar nessa mar de sofrimento enquanto sufocada, eu tento sair de qualquer forma. Tudo para não afundar junto.

O que custa ser feliz? Tentar ser feliz? Enxergar as crianças do passado como as adultas do presente? Incluir essas ex-crianças nas conversas? Mostrar interesse? Não era assim que era pra ser uma família? E quem é que vai dizer  que eu não deveria me sentir assim?

Vários questionamentos há anos. Ainda deve haver alguma gota de esperança nisso tudo pra eu sentir o desgosto de viver nesse inferno. Pena que a única saída visível é a minha própria, pra algum lugar que não seja aqui.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Reviravoltas


Tem horas que a vida dá umas reviravoltas loucas que nem a gente, que é protagonista da nossa própria história, entende. E nesse ritmo de mudanças e vai-e-voltas loucos eu me preparo. Preparada para uma nova fase. Conquistas e responsabilidades. E o melhor de tudo: tenho meus planos de volta. New York.

terça-feira, 3 de julho de 2012

O silêncio do telefone

Dizem que Deus às vezes tem um plano diferente pra gente. Eu nunca fui religiosa. Sou dessas que só reza quando precisa e se sente mal por isso.Mas também não tem vontade de frequentar igrejas. Tenho várias opiniões contrárias das que são pregadas aos fiéis.

Nada do barulho do telefone

É muito difícil aceitar esse ditado quando se é uma pessoa controladora e cheia de projetos. É como se tudo caísse, escapasse da firmeza das mãos e estivesse em cacos. Agora é hora de colher todos eles para tentar encaixa-los novamente.

O celular não toca.

O mais desafiador é apertar o pause para aquela viagem dos sonhos, para ser independente e ser adulta de verdade. Complicado é forçar o sorriso no rosto e alegrar a alma. Impossível é ficar um dia sequer sem ter uma lágrima querendo escapar dos olhos.

Nenhum "ring ring" no meu ouvido.

E a vida, injustamente, segue seu curso normal. E você se sente que por mais que corra, está ficando para trás. Nenhuma resposta.

Nenhum telefonema.

E mais e outras tentativas. Nada ainda. Você se questiona se tudo que fez foi o bastante porque a competição só fica mais acirrada. E ainda há quem diga que quando aparecer uma oportunidade, chegarão várias de uma vez. Que será possível escolher.

Mas não, o celular ainda não deu sinal de vida com um número diferente na tela. Com uma oportunidade apreciando minhas qualidades e minha vontade de trabalhar.

Sim, Deus deve ter um plano diferente pra mim. Só pode.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Incertezas

Talvez as certezas tenham espaço apenas na cabeça da gente. Aquele emprego está certo, o relacionamento está firme, o futuro assim e assado será daquela maneira, a viagem para o exterior está confirmada e por aí vai.

Vai tudo bem até o dia que pregam uma peça na gente. Porque a vida é cheia de surpresas. De repente a promessa de emprego não é cumprida, o relacionamento tem um fim e os outros planos foram adiados. Talvez até sejam outros planos daqui pra frente.

E a rotina pede mudança. E mudanças são diferentes de certezas. Mudanças ocorrem toda hora. São indecentes. São palpáveis e nos seguem a todo momento. As novas etapas são suas companheiras. 

Mas enquanto a nova etapa e as mudanças não se tornam certezas  tudo é incomodo. Nada está muito bem. O desânimo e falta de vontade nos arrastam pelos cantos. Dá vontade de chorar, gritar pra Deus e o mundo o porquê de ter acontecido justo comigo.

E hoje eu pergunto: Por que?

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Heineken e pajero

O pior disso tudo é não poder te ligar quando dá vontade. Te dizer que cada minuto que passa sem você parte de mim morre. Te falar que eu descobri que meu sentimento é forte demais pra qualquer besteira que possa nos destruir. 

Não poder aparecer de repente no seu trabalho como você já fez comigo. Receber aquele seu abraço forte e longo. Seu beijo tão apaixonado e cheio de vontade. Ver seu sorriso ao lado do meu.

E mesmo sem saber onde você está e o que está fazendo enquanto eu penso em você, imaginar você em frente do meu trabalho dentro do pajero me esperando depois de um dia fodido. Depois de gastar todas minhas energias e mau humor na faculdade e no trabalho abrir meu sorriso pra você como se nada de ruim existisse no mundo.

Morro de saudades de ver o pôr-do sol com você enquanto você bebe Heineken e eu, Stella. Meu programa favorito. Comer comida japonesa pra gente escolher nosso cardápio juntos. Você não vê que eu não quero jantar sozinha? Você não percebe que eu quero jantar com você? Que não é o fato de pegar o dinheiro, comer e pagar... Porque assim como a janta, tudo, absolutamente tudo, fica sem graça sem você.

Você não percebe que eu cansei de fingir que está tudo bem? Que eu não aguento mais me encher de coisas pra fazer porque se eu parar pra pensar tudo que eu quero é sentar e chorar? Que a saudade apertou pra valer e meu coração tá mais apertado que nunca? Que hoje o dia acordou nublado e frio, assim como meu estado de espírito?

Porque tudo que eu queria hoje são as coisas mais simples. Um abraço, um "vai ficar tudo bem" no pé do meu ouvido, seu hálito no meu rosto, seu corpo encaixado no meu, um beijo cheio de amor... Eu só queria adormecer do seu lado e ao acordar te admirar e te encher de mais beijos. E encaixar de novo em você.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Brincadeira

É de brincadeira, né? Não é verdade que você vai passar um mês longe de mim. Não é verdade que eu vou ter que me reinventar e planejar cada minuto do meu fim de semana para não cair no choro de saudade. 

É só de brincadeira que a gente vai aproveitar o máximo esse fim de semana porque no outro você não vai mais estar aqui. E não é sério que eu estou me imaginando 30 dias sem te tocar, te beijar e sentir seus braços musculosos e quentes em volta do meu corpo frio.

É por brincadeira que você não sofre por antecipação como eu sofro. Que eu acho que sofro mais que qualquer ser humano existente nesse planeta. Que eu vou ligar para todos os meus amigos propondo a mim mesma a gastar o dinheiro que iria guardar só pra tomar aquela tequila com sal e limão e fingir que estou bem sem você comigo naquele sábado a noite em um bar qualquer.

É brincando que eu finjo que esse dia não vai chegar. Não é sério eu morro tanto de amores por você. Não é verdade que você vai pro outro lado do mundo e um fuso horário horrível vai nos separar.

É uma puta brincadeira de mal gosto.

sábado, 7 de abril de 2012

Pôr-do-sol

Todo mundo esquece às vezes. A gente esquece que são as tardes que  muitas vezes são melhores que qualquer noitada.
Quando eu tinha 15 e, depois 16 anos, eram nelas que a magia acontecia. Noite já era hora de voltar pra casa.
E foi por volta dessa idade que eu passei a me conhecer melhor. Percebi que eu era uma romântica incurável e que gostava muito de não ficar em casa.
Sempre fui assim, desde criança. Às vezes meus pais caseiros  teimam em pensar que sou igual a eles. Mas, sempre preferi brincar de bete e jogar vôlei com os amigos na rua do que ver TV em casa.
Na adolescência, depois da primeira desilusão dolorida foi que eu me questionei se o coração teria espaço para um outro amor. A resposta foi negativa por muito tempo. Amor, eu pensava, não se repete.
Mas assim que estava completamente desiludida e consolada o bastante pra viver bem comigo mesma o amor apareceu. Eu percebi que eu nunca tinha amado. Eu, assim como você, tinha tido uma paixão infantil. Era o nosso primeiro contato com um sentimento tão maduro. E era apenas nós dois.Você com as suas piadas sem graça, que só eu rio, e eu com os meus ataques estéricos,  que só você vê graça.
Sabe quando você ama tanto alguém que só de falar desse sentimento pra outra pessoa seus olhos enchem de lágrimas? É assim comigo. Sabe quando um casal se encaixa perfeitamente nos pequenos detalhes? É assim com a gente. 
São assim as nossas tardes juntos. Hoje ao ver o pôr-do-sol ao seu lado. Foi hoje depois de acordar tão agoniada com a minha inquietação de querer fugir da rotina. No meu impulso constante de querer rua em vez de casa, você me acalma. Hoje no lago, sentada ao seu lado, eu senti a plenitude. Ao ver tantas cores no céu, eu percebi que você é a minha cura pro meu romantismo porque você o torna real. Porque é por você que o céu fica muito mais colorido antes de se apagar por completo.


O pôr-do-sol mais bonito é você.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Sorriso

Foi o seu sorriso. Eu tenho certeza. Foi muito mais que seu cabelo. Apesar de ter uma queda pelos longos fios masculinos, foi o seu único sorriso que me conquistou. Cabelo vários têm. Mas sorriso igual ao seu não há.

Culpa dele que minhas mãos suavam no início e você, percebendo a situação, sorria mais pra me deixar a vontade. Culpa dele que sinto tanta saudade quando você está ausente. É uma das primeiras imagens suas que reconstruo na mente. É por ele que me apaixonei. Você me conquistou pelo sorriso. Pelo seu espírito aventureiro e apaixonante de encarar a vida.

Não foi amor a primeira vista. Você me achou metida e eu te achei estranho.E naquele momento nem eu nem você esperávamos um relacionamento, muito menos entre nós dois. Hoje eu não consigo me imaginar sem você. Sem o seu sorriso por perto. Sem a sua demonstração de carinho, alegria e amor.

Foi o seu sorriso. Definitivamente é você, com o seu sorriso, que eu quero pro resto da minha vida.


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Amizade

Pra mim há dois tipos de amizade. Quer dizer, uma nem é amizade, mas vamos chamar assim.

O primeiro tipo é descompromissada. Surge naturalmente, e normalmente ainda nos tempos de infância ou até de faculdade. É aquela amiga que te liga pra dizer nada. Só pra conversar e ouvir sua voz. Saber se a outra está bem. Vocês podem ficar anos sem se encontrarem. Mas quando se vêem é como se nenhum dia tivesse passado desde a última vez. É quem você tem certeza que pode contar, mesmo longe. E a alegria dela é a sua alegria. Sabe aquela pessoa que te faz bem? Que traz seu sorriso de volta? E vocês riem de fatos passados? Diante de quase 600 contatos no Facebook, eu tenho 4 amigas assim. 

O outro tipo faz você acreditar, por um tempo, que ela é sua amiga. Mas assim que a distância aparece, as coisas saem do lugar. É difícil explicar. Sabe quando aquela química entre os casais vai embora, simplesmente? Isso também acontece com amizade. E quando vocês se vêem é porque você marcou e fez de tudo pro encontro acontecer. Ela só compareceu. Se depender dela, ela não não se move e vocês não se vêem. O irônico é que aparecem fotos dela na Internet com outras amigas, e  ela é uma das responsáveis pela logística. Mas nessa hora ela não lembra de você, e sim quando precisa. Quando o momento está difícil. Eu tenho uma "amiga" assim.


Eu quero mais a presença das 4 na minha vida. J,A,H e L.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Closer

Tem horas que não sei descrever como me sinto.Tédio? Incerteza? Desânimo?
Duvido da eficiência da língua portuguesa e acho graça de quem se vangloria pela palavra "saudade" existir apenas no nosso vocabulário.
Grande coisa, eu penso.
Mas e agora, cadê a palavra pra resumir meu estado de espírito?
Uma falta de vontade, saudade de surpresas, busca pelo frio na barriga, expectativa não alimentada.
Nada disso. Chega perto, mas eu queria uma palavra que resumiria.
E até sinto raiva dessa possível palavra, pois ela jogaria na minha cara como ingrata eu posso ser. Egoísta? Mimada?
Melhor que ela nem exista mesmo pra não tornar esse sentimento tão real. Confusa? 
E aí me questiono o porquê de me sentir assim. Rotina?

Mas apesar de não ter uma palavra certa, há um ritmo. Uma batida exata que resume. Nem presto atenção na letra. Não tenho certeza se faz jus ao pensamento. Mas o som sim. Ah o som.






O som sim.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Caramelo

Foi numa dessas tardes quentes depois do trabalho. Ônibus cheio ultimamente tem me deixado meio zonza e até com um pouco de ânsia. A medida que mais gente entra, mas sufocada eu me sinto. Mas o que importa era que pelo menos eu estava sentada.
E foi antes da ânsia vir e depois de festejar silenciosamente o meu lugar no banco que olhei pra frente. Por um momento achei que fosse minha vó, mas depois de lembrar dos fatos, há um pouco mais de 6 meses, caí em mim e percebi que não era ela.
Os cabelos eram os mesmos. O tom era aquele que as caixinhas de tintura chamam de caramelo, ou algo parecido. Entre o ruivo e o castanho. O corte era curto, provavelmente não chegava até os ombros. Mas não dava pra saber porque os fios estavam amarrados, assim como ela costumava usar muitas vezes.
A pele também me lembrou dela. Dava pra notar que tinha a experiência marcada pelos poros, mas penso que aquela mulher no ônibus deve ter feito alguma cirurgia, assim como você fez, quando ainda se preocupava com a aparência, pois quase não havia rugas e a pele era lisinha.
Observei-a, mas não fiz questão de prestar atenção na conversa que ela mantinha pra manter a imagem de minha vó para não quebrar a magia. Eu ainda posso ouvir a voz da minha vó. Sua risada alegre. E faço questão de esquecer seu semblante triste nos piores dias.
Me deu vontade de pedir bença, como dizíamos. E ouvir seu amém e logo um abraço apertado. E me arrependo de não ter me dedicado, pelo menos, um pouco a mais como neta. E me arrependo de não ter conversado mais. E não ter passado mais tempo juntas.
Mas agora é tarde demais. Hoje a mulher estava no mesmo ônibus que eu outra vez. Dessa vez sentei ao lado dela. Talvez numa tentativa besta de fazer um pouquinho mais pela senhora, vó.

Com sua bença peço desculpas por esse texto ter demorado tanto pra sair.


domingo, 22 de janeiro de 2012

Tranças

Trocamos olhares várias vezes durante a cerimônia. Ela ali, com uns 6 anos de idade, e eu, prestes a completar 22. Ela me observava e sorria discretamente. E eu, sem a certeza de que era comigo, olhava a dona do cabelo com tranças com saudade da minha inocência infantil.
Eu me via através daqueles olhinhos que tanto tinham por ver ainda. Eram tantos sonhos, tantas realidades naquele universo de brincadeiras, tantas perguntas sobre o mundo adulto e uma pressa danada para me tornar uma daquelas.
Hoje eu era uma daquelas. Uma daquelas que eu olhava e tanto admirava. Prestava atenção no comportamento. Na roupa. Nos acessórios. No cabelo. E na maquiagem. Uma daquelas mulheres que eu pensava: quero ser assim quando eu crescer.
Mas nessa tarde não eram os meus olhinhos. Não havia mais diminutivo para as minhas características. Eu já era adulta. A idade que está me esperando na próxima sexta-feira me prova isso. Eram os olhos de uma criança.
E para o meu espanto você se atreveu a me cumprimentar depois. Eu sempre fui uma criança tímida e calada. Você teve a coragem de vir falar comigo e eu me assustei. Você perguntou o meu nome e eu perguntei o seu.  Retribuí os tantos sorrisos que você me deu.
O prazer foi meu, Isadora.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Os dias em Capeside

Uns querem Pasárgada. Eu quero Capeside. Uma cidadezinha interiorana no sul dos Estados Unidos. 
Enquanto isso tenho que aproveitar e enjoar dessa correria. Das distâncias nas ruas largas e sem semáforos da capital. Do barulho da vizinhança. Do estresse da rotina. Da noite em diferentes restaurantes. Da seca bruta e da chuva teimosa.
Mas quando chegar a hora eu quero ir pra Capeside. Eu já a invento durante as fugas da cidade. Pegamos o carro e respiramos um pouco de natureza. De paz e tranquilidade. Lá não existe hora certa. Nem mesmo o relógio importa. A hora é a gente que faz.
Em Capeside vai ser assim também. Lá naquela casa grande pra nós dois. Toda branca. Com uma varanda na frente e só silêncio do lago da frente. O jardim cuidado. Nós já estamos craques em jardinagem e culinária com todo o tempo livre ao nosso favor. A cidade não fica longe, mas também não é muito grande. Ela é tranquila assim como as nossas fugas. Os nossos dias são recheados de amor. Aquele que só a gente entende. Eu de mau-humor e você me arrancando sorrisos ao me provocar.
Lá vamos lembrar da nossa juventude corrida. E riremos das minhas crises de ciúmes. Da sua vontade de abraçar o mundo de uma vez só e conhecê-lo inteiro em apenas um dia. Recordaremos com saudade do tempo das crianças pequenas. Da arte que elas aprontavam e a dificuldade de fazê-las comer. 
Serão tempos bons. Assim como os de hoje que às vezes eu esqueço de valorizá-los como deveria. 


segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

A espera do arco-íris

Era outro réveillon com a família. Sabia que nada de excitante iria acontecer. Passou apenas duas viradas de ano longe deles. Da primeira vez pagou caríssimo por uma festa que nem se fez valer pela bebida.Da segunda e última, foi em uma festinha de conhecidos que durante a contagem regressiva estava bêbada demais e sozinha demais pra abraçar e receber o abraço de alguém.
Sabia que iria ter a companhia de vários brasileiros, apesar de não estar no Brasil. Não criou muitas expectativas. Ainda bem. O ponto alto da noite foi aquele hambúrguer só de pão e carne.
Mas nem ligou porque 2012 é número par e significa sorte para ela. Porém o ano não começou da melhor maneira.
Na volta para casa todos os voos atrasaram. Perdeu o último voo e a mala ficou em outro lugar que não era  destino final.
As chuvas de Brasília misturadas com o calor e o ar condicionado de Buenos Aires já a deixaram gripada. Acordou um dia com um torcicolo que quase imobilizou o pescoço. Bateu forte na porta com a testa. Foi na biblioteca pra pegar livros e ela estava fechada.
Achou que era hora de parar de superstição. O ano anterior foi difícil, mas teve seus momentos felizes. O ano novo não seria diferente.
"Depois da tempestade vem sempre o arco-íris". Lembrou dessa frase.