sábado, 5 de novembro de 2011

O número 2011

Ainda é novembro, eu sei. Mas com todas as luzinhas de natal não consigo evitar a pontinha de nostalgia e esperança no coração. É nessa hora que me lembro como 2011 foi um ano perturbado. Ao lado de tantos momentos felizes, houve instantes realmente trágicos.
Aprendi que o mato pode realmente ser desestressante. Que viajar é muito gostoso pra fugir da rotina, mas que se tem que aprender a ficar e parar de fugir. Que a sua cantora preferida dos tempos de escola pode não atender às suas expectativas ao vivo. Que o show menos esperado pode ser o melhor da noite. 
Que realmente o material não importa. As pessoas não podem ser compradas, nem trocadas por outra. Aprendi que a morte realmente existe e dói. Mas ainda não aprendi a me enganar que minha vó vai voltar de uma longa viagem à fazenda. E que a minha outra vó vai ficar com a gente pra sempre.
Finalmente entendi que a família é importante. E que é preciso manter o laço, pois nas horas difíceis é ela que vai estar lá. E isso não é historinha de mãe pra manter o filho mais em casa e menos na rua sasaricando por aí.
Estou aprendendo a conter meu ciúmes e a ser mais segura. Todos os dias repasso aqueles momentos felizes com ele e deixo a imaginação pra lá.
Percebi que sair da faculdade é bem mais chato que entrar. Lembra das expectativas criadas e as promessas feitas no inicio do curso? A metade delas não foram atendidas e muitas promessas não foram cumpridas. E eu não consigo imaginar como será a partir do meio do ano que vem, formada.Como será trabalhar, apenas? É nessa hora que a ideia do possível fim do mundo vem a cabeça e eu deixo pra lá.
Nesse ano fui a quatro casamentos. Parei de ignorar que fiquei adulta e aceitei o fato que daqui por voltar de cinco anos será eu mudando de casa, casando e tendo filhos. Mas ainda não consegui abandonar meu all star e adotar o salto como meu parceiro, fingindo que é super confortável. 
E eu paro pra pensar como eu era há cinco anos. Dezesseis anos foi com certeza a melhor idade. Mas não mudei de casa. Quer dizer, ainda moro com as mesmas pessoas. Mudei de cidade, se considerar isso uma grande mudança. E ainda vou pra sala de aula. Trabalho agora, é verdade. E dirijo. Fora isso, nada grande mudou. E bate um medo do tipo: será que vou conseguir?
Ainda estou digerindo o fato que grandes mudanças acontecerão daqui cinco anos. Daqui dez, então? Melhor concentrar nos cinco por enquanto. E diante de tudo que aconteceu e que está prestes a acontecer, não consigo parar de pensar: a gente muda pra valer ou somos os mesmos? Ainda existe a adolescente de 16 anos ou agora é só a adulta de 21 que está no comando? Existe um meio termo? Passado é mesmo passado?

4 comentários:

Flá Costa * disse...

Amiga, só posso te aplaudir por esse texto todo. Uma delícia de ler, se vc acha que eu evoluí, olha isso. Aquilo que sai do coração é tão, mas tão forte!

Que bom você estar de volta e que bom saber que eu não sou a única que esta entre o all star e o receio do salto alto.
que bom!

Ana Lu disse...

Ei Renata! =D
Outro dia eu, "analisando minha vida", cheguei a conclusão de que a adolescência nunca nos deixa. Sempre sobra um pouco dos 16 anos dentro de nós..
Beijos!!

Luara Q. disse...

Quanta intensidade aqui!

Ovelha Negra disse...

Oi Renata, obrigada pela visita, volte sempre que quiser.. adoro visitas!
Esse texto tá tão lindo que me fez chorar e me fez pensar 5 anos atrás, mudanças.. dá um aperto no peito e um nó na garganta. O tempo tem passada veloz e feroz, e quando se completa 21 anos, que é uma linda fase, parece pular e os anos parecem ser passar de 2 em 2, rs. Então, aproveite bem seus 21 anos, é bom não ter tanta responsabilidade, é bom não pensar tanto, às vezes é bom só viver... Lindo mesmo esse texto seu, e reflexivo tbm. Parabéns.
beijinhos