sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Mais cidade e menos sexo

Eu confesso que sou viciada em Sex and the City e pra mim é uma das melhores séries que já fizeram. Sempre me identifiquei mais com a Carrie. Também gosto de escrever e que mulher formada em jornalismo não gostaria de sobreviver com uma coluna que pode ser escrita de casa? E ainda tem dinheiro pra comprar todos os Manolo Blank e vestidos Prada que quiser. Mas ultimamente ando meio Charlotte. Tradicional e romântica.
Meu pai e minha vó têm preconceito com a série. Acham que tem uma conotação muito sexual. Até aí tudo bem porque já no nome da série tem a palavra "sexo" no meio. Mas pelo o que eu me lembre Sex and the City nunca passou na TV no horário em que as crianças ainda estão acordadas.
E o intuito não é mostrar bundas, peitos e afins, mas sim discutir relacionamentos. Sex and the City mostra a mulher como humano e não como um simples corpo a ser consumido pelo prazer. E que eu saiba, todo relacionamento adulto (com exceção de alguns) tem sexo envolvido. Então pra que esse choque todo?
Sabe o que me choca mais? Ligar a TV e ver aquele tanto de bunda a mostra no horário em que crianças podem ver e achar normal. E sabe o que é pior? A minha geração já acha isso tão normal (mulher pelada na TV sendo vendida como um mero objeto de desejo sexual) que faz piada do assunto.
E ao mesmo tempo que é normal pra muitos ver peito e bunda em horário comercial, muitos acham absurdamente anormal a personagem da Samantha que tem orgulho da sua liberdade sexual. Mas é aceito ter um personagem homem se orgulhando da sua liberdade na novela das nove.
E isso já está extrapolando a TV. Porque eu posso trocar de canal quando vejo algo que me incomoda. Mas nas redes sociais já é demais pra mim.
Gosto de saber o que meus amigos estão falando por aí e confiro diariamente meu Facebook. Infelizmente ando me deparando com cenas de nudez explícita mesmo. E quando não é explícito, a mulher é representada pelo peito e bunda que tem. Isso quando não faz o papel de burra.
E por mais que a gente converse sobre isso com os homens, muitos deles ainda fazem piada achando que tudo é uma brincadeira e super normal. Enquanto isso, mulheres no mundo todo são violentadas, desrespeitadas, têm salários menores que o dos homens e muitas se conformam com o papel de submissão que ainda é imposto por vários fatores sociais.

2 comentários:

Lanier Rosa disse...

Gostei muito da colocação, Renata.

Flá Costa disse...

Rê, conversamos sobre isso e você sabe que eu assino embaixo né? To lendo Comprometida da Liz Gilbert e ela também fala muito da representação da mulher na sociedade e argumenta muito bem sobre o fato de o tempo ter passado e o machismo ter continuado - ainda que agora, meio que camuflado.

e obs: que jornalista não sonha ser a Carrie, (for God's sake? rs)

obs2: é bom vc me responder mesmo aquele e-mail, acabei até sonhando com aquele passado, vc acredita? rs

beijucos