segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Eu vou até o sol, meu amor

"Sobre certas coisas não vale a pena brigar. A sabedoria está em saber diferenciar o que vale a pena e o que não vale a pena perder tempo". Fiz cara de quem não deu muita atenção, mas guardei as palavras que ouvi  do meu pai. Hoje inverti os sentidos. Foi um dia de mais audição e menos fala. Por raras vezes tenho esses dias. Sou egoísta e saio falando aos quatro ventos e  peneiro muita coisa que ouço. Mas hoje não. Hoje foi diferente.
Percebi que as emoções podem me deixar cega. E que tirar um dia pra pensar pode clarear muita coisa, mas o outro pode ficar no escuro. Colocar pra fora sempre foi minha terapia. Fui adepta, mais de uma vez, às clínicas de psicologia. A sensação era que os dias passavam normalmente, mas as sextas-feiras eram para refletir e pensar no que poderia melhorar. Era quando aconteciam minhas consultas. Um aprendizado sobre mim mesma.
Outro dia a gente conversando, você disse que se apaixonou por mim porque eu era "de boa". E eu me peguei afirmando e ressaltando a palavra "era" porque a sensação que dá é que hoje não sou mais. Sou encanada com várias coisas, arrumo desculpas pra estragar meu próprio dia e arrumar uma briga entre a gente. Nessas horas eu lembro da psicóloga falando sobre a auto-sabotagem. Parece que sou uma espécie de adepta disso aí.
Mas hoje, mais que ontem, estou disposta a mudar. Hesitei em ligar pra psicóloga e perguntar o preço da consulta, mas quero tentar sozinha. Será que vou precisar de ajuda a vida inteira ou já sou grandinha e disposta a mudar?
Quando me vi em você, meu coração apertou tanto. Insegurança pega? Tanta vulnerabilidade nos meus braços e eu tive que ser a forte da vez. Minha vontade era de te abraçar e de te transportar pra dentro de mim pra te fazer perceber que o que mais quero é mudar, antes que isso te contamine. Que nos contamine. Eu quero ser contaminada pela sua maturidade. 
Porque, mais que tudo, eu tenho fé. E a minha fé é na gente. E pela primeira vez a paz apareceu no meu coração, porque eu sei que a gente vai consertar isso. Porque é o meu papel agora te passar força e te resgatar do escuro. Porque se for preciso, meu amor, eu vou até o sol pegar um pouco de luz pra iluminar seu coração.

"E nossa história não estará pelo avesso assim, sem final feliz. Teremos coisas bonitas pra contar e até lá vamos viver. Temos muito ainda por fazer. Não olhe pra trás. Apenas começamos. O mundo começa agora. Apenas começamos". Legião Urbana- Metal contra as Nuvens




sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Mais cidade e menos sexo

Eu confesso que sou viciada em Sex and the City e pra mim é uma das melhores séries que já fizeram. Sempre me identifiquei mais com a Carrie. Também gosto de escrever e que mulher formada em jornalismo não gostaria de sobreviver com uma coluna que pode ser escrita de casa? E ainda tem dinheiro pra comprar todos os Manolo Blank e vestidos Prada que quiser. Mas ultimamente ando meio Charlotte. Tradicional e romântica.
Meu pai e minha vó têm preconceito com a série. Acham que tem uma conotação muito sexual. Até aí tudo bem porque já no nome da série tem a palavra "sexo" no meio. Mas pelo o que eu me lembre Sex and the City nunca passou na TV no horário em que as crianças ainda estão acordadas.
E o intuito não é mostrar bundas, peitos e afins, mas sim discutir relacionamentos. Sex and the City mostra a mulher como humano e não como um simples corpo a ser consumido pelo prazer. E que eu saiba, todo relacionamento adulto (com exceção de alguns) tem sexo envolvido. Então pra que esse choque todo?
Sabe o que me choca mais? Ligar a TV e ver aquele tanto de bunda a mostra no horário em que crianças podem ver e achar normal. E sabe o que é pior? A minha geração já acha isso tão normal (mulher pelada na TV sendo vendida como um mero objeto de desejo sexual) que faz piada do assunto.
E ao mesmo tempo que é normal pra muitos ver peito e bunda em horário comercial, muitos acham absurdamente anormal a personagem da Samantha que tem orgulho da sua liberdade sexual. Mas é aceito ter um personagem homem se orgulhando da sua liberdade na novela das nove.
E isso já está extrapolando a TV. Porque eu posso trocar de canal quando vejo algo que me incomoda. Mas nas redes sociais já é demais pra mim.
Gosto de saber o que meus amigos estão falando por aí e confiro diariamente meu Facebook. Infelizmente ando me deparando com cenas de nudez explícita mesmo. E quando não é explícito, a mulher é representada pelo peito e bunda que tem. Isso quando não faz o papel de burra.
E por mais que a gente converse sobre isso com os homens, muitos deles ainda fazem piada achando que tudo é uma brincadeira e super normal. Enquanto isso, mulheres no mundo todo são violentadas, desrespeitadas, têm salários menores que o dos homens e muitas se conformam com o papel de submissão que ainda é imposto por vários fatores sociais.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Mulher de fases

Eu me peguei pensando no passado. O engraçado é que às vezes a sensação que tive em certos momentos voltam na medida que eu os recordo. Aí eu penso na minha relação com os dias que já se passaram. Me pergunto o porquê de ter esse tal de passado impregnado na mala que carrego. 
Estou familiarizada com a frase que diz que sem ele não seríamos o que somos hoje. E mesmo assim me bate um ciúmes horrendo do passado do meu namorado. Besteira pura porque eu também tive o meu passado e a gente nem imaginava a existência do outro.
Quer dizer... Não minto que sempre esperei o homem ideal. Não sei se é a mídia ou a cultura ocidental que nos obriga a esperar a perfeição, mas o fato é que não conseguia não imaginá-lo. 
Nesse meio tempo fiz muita besteira. Bebi tequila, mojito, cerveja, margarita e vodka tudo numa noite só. E repeti a dose outras vezes.Quis ser livre depois de me sentir presa. Isso foi depois do meu segundo relacionamento sério. 
Depois do primeiro chorei que nem um bebê chorão que quer mamadeira e a mãe. A adolescência intensifica tudo e achei que meu mundo iria acabar. Meu mundo não acabou. Mas ao mesmo tempo que eu fazia questão de postar fotos felizes na internet pra provar que estava bem, fiquei mais de um ano sem querer saber de ninguém.
Mas quando terminei o segundo namoro senti o que era ser feliz outra vez. Sabe quando a gente tenta recuperar o tempo perdido? Saí bastante com os meus amigos, emagreci, cortei o cabelo curtinho (até o ombro pra mim é curtérrimo), conheci gente nova, saí pra balada sem ter como voltar pra casa, e aos domingos morri de ressaca.
Até que chegou a hora que tudo perdeu graça. E sabe aquele homem ideal do início? Bom, vamos dizer que meu namorado faz muito meu tipo e atende às minhas preferências quanto à personalidade e aparência. Sempre tive queda por roqueiros cabeludos. Com barba ainda? Me ganhou.
E repenso até que concluo que se eu não tivesse misturado bebida, conhecido várias pessoas, morrido de ressaca, me aventurado, talvez eu não daria valor no que eu tenho hoje e quisesse passar por tudo isso que passei.
Tudo tem fase não é? Minhas amigas de infância  costumam dizer que eu passei por todas as fases possíveis. Acho que isso é verdade.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Da terra da Tequila e dos Mariachis

Eu esperava uma banda especial. Chorona, sempre fui fâ de músicas tristes e naquela noite não seria diferente. A banda principal era aquela inglesa que fez uma cor famosa: amarelo.
Mas antes dela, outras entrariam no palco. Entre elas, a banda da terra da Tequila e dos mariachis, como eles se definem, estava na lista.
Não esperava mais que alguns caras mais ou menos velhos com um pouco de charme no olhar.
Mas eu sempre quis conhecer o México e sempre achei espanhol muito sexy. E a torcida do francês pode pronunciar . Pra mim o espanhol é muy más caliente e esse francês fresco aí...
O show começou e a cada música tocada, mais eu me apaixonava.
Confesso que na infância eu gostava mesmo era daquele sertanejo bem dor de cotovelo. Mas os anos foram passando e o rock foi tomando o seu devido lugar na minha cabeça e no meu iPod.
Maná me resgatou daqueles acordes pesados ou até mesmo muito tristes. Porque Maná não define a tristeza da mesma maneira das bandas de rock. É um jeito romântico que alguns filmes me fazem lembrar.
É aquela dorzinha de saudade que vai bem no fundo e insiste em atormentar, mas de uma forma confortável e suportável.
Agora quem manda na minha setlist são eles. E seu pudesse, eu iria lá na terra da tequila, dos nachos, tacos, chilli e afins pra me empanturrar, embebedar e ouvir muito Maná. Ao vivo, claro.


terça-feira, 8 de novembro de 2011

Quando eu me permito

Às vezes eu me permito, sabe? Estudo, trabalho, me exercito e sou intolerante à lactose. Diante de tanta correria, cobranças e prazos eu dou uma escapulida.
Durmo até tarde quando posso. Durmo no ônibus. Não pego o carro todo dia pra economizar alguma grana. Quando fico em casa, mesmo sabendo das consequências,  como lactose. Normalmente enquanto assisto alguma das minhas séries preferidas.
Gasto boa parte em redes sociais ou espiando alguns blogs. Só observando a vida virtual dos outros.
Junto din din. Daí gasto boa parte em viagem. Preciso parar com essa mania e começar a pensar no futuro...
Tô tentando deixar pra lá um monte de coisa. Ando economizando meu estresse. Também estou desfazendo de algumas pessoas que me tiram do sério. Melhor não perder tempo com elas. Quando vale a pena, repenso.
Tô tentando arrancar de mim os adjetivos "nervosinha" e "séria demais".
Tô tentando deixar pra lá e desencanar.

sábado, 5 de novembro de 2011

O número 2011

Ainda é novembro, eu sei. Mas com todas as luzinhas de natal não consigo evitar a pontinha de nostalgia e esperança no coração. É nessa hora que me lembro como 2011 foi um ano perturbado. Ao lado de tantos momentos felizes, houve instantes realmente trágicos.
Aprendi que o mato pode realmente ser desestressante. Que viajar é muito gostoso pra fugir da rotina, mas que se tem que aprender a ficar e parar de fugir. Que a sua cantora preferida dos tempos de escola pode não atender às suas expectativas ao vivo. Que o show menos esperado pode ser o melhor da noite. 
Que realmente o material não importa. As pessoas não podem ser compradas, nem trocadas por outra. Aprendi que a morte realmente existe e dói. Mas ainda não aprendi a me enganar que minha vó vai voltar de uma longa viagem à fazenda. E que a minha outra vó vai ficar com a gente pra sempre.
Finalmente entendi que a família é importante. E que é preciso manter o laço, pois nas horas difíceis é ela que vai estar lá. E isso não é historinha de mãe pra manter o filho mais em casa e menos na rua sasaricando por aí.
Estou aprendendo a conter meu ciúmes e a ser mais segura. Todos os dias repasso aqueles momentos felizes com ele e deixo a imaginação pra lá.
Percebi que sair da faculdade é bem mais chato que entrar. Lembra das expectativas criadas e as promessas feitas no inicio do curso? A metade delas não foram atendidas e muitas promessas não foram cumpridas. E eu não consigo imaginar como será a partir do meio do ano que vem, formada.Como será trabalhar, apenas? É nessa hora que a ideia do possível fim do mundo vem a cabeça e eu deixo pra lá.
Nesse ano fui a quatro casamentos. Parei de ignorar que fiquei adulta e aceitei o fato que daqui por voltar de cinco anos será eu mudando de casa, casando e tendo filhos. Mas ainda não consegui abandonar meu all star e adotar o salto como meu parceiro, fingindo que é super confortável. 
E eu paro pra pensar como eu era há cinco anos. Dezesseis anos foi com certeza a melhor idade. Mas não mudei de casa. Quer dizer, ainda moro com as mesmas pessoas. Mudei de cidade, se considerar isso uma grande mudança. E ainda vou pra sala de aula. Trabalho agora, é verdade. E dirijo. Fora isso, nada grande mudou. E bate um medo do tipo: será que vou conseguir?
Ainda estou digerindo o fato que grandes mudanças acontecerão daqui cinco anos. Daqui dez, então? Melhor concentrar nos cinco por enquanto. E diante de tudo que aconteceu e que está prestes a acontecer, não consigo parar de pensar: a gente muda pra valer ou somos os mesmos? Ainda existe a adolescente de 16 anos ou agora é só a adulta de 21 que está no comando? Existe um meio termo? Passado é mesmo passado?

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Foi quando eu senti sua falta

Isso já aconteceu outra vez. Você até cumpriu o que tinha prometido, lembra? Foi aquele fim de semana mágico. Mas antes dele eu me senti tão sozinha. Nunca tinha estado com alguém assim, com a agenda tão lotada. E que quando eu tentava marcar algo você me respondia "Vou ver, a princípio não tem nada programado". Como eu odiava e ainda odeio esse "a princípio". Porque "a princípio" é muito volúvel e eu sempre precisei de chão, de firmeza.
Agora estou aqui outra vez. Prestes a comemorar o aniversário de relacionamento mais longo. Mais insegura que nunca por não saber qual a próxima fase. Devo admitir que já é novo o que vivemos, pois nessa altura do campeonato os sorrisos mal existiam.
Hoje eu quis estar com você. Como todos fins de semana, programamos pra ficar o máximo juntos. O "a princípio" já ficou pra trás. Mas enquanto nos decidíamos o que fazer, seu celular tocou. E continuou até você pronunciar a notícia que eu não queria escutar aquela noite: você tinha que voltar pra lá.
Tentei me embebedar com o meu vício e disfarçar os ponteiros com a Carrie Bradshaw narrando os acontecimentos na televisão. Mas aí o telefone tocou e meu coração bateu mais forte. O disfarce com o relógio desmanchou. Corri para atender. Nos falamos quase todos os dias por volta desse horário. Tinha que ser você. O telefone acabou com o efeito da bebedeira e percebi a falta que sentia de você e como carente eu estava.
Esperava ouvir sua voz grossa e firme do outro lado da linha. Sempre gostei da sua voz de homem. Nunca fui do tipo de "moleque". Prefiro os homens. Maduros e misteriosos. Mas ouvi uma voz feminina a procura de outra pessoa da casa.
Na hora tive que me recompor e segurar as lágrimas. E lembrei que você não iria me telefonar. Estava ocupado. Me segurei, mas não consegui ao discar seu número logo após. Tive vontade de dizer pra você o quanto você fazia falta pra mim e odiava não ter você na minha rotina. Você me falou pra dar umas voltas por aí com as amigas. Mas todas elas estão ocupadas com o fim do semestre.
Não sei se é o próprio fim do semestre, se foram nossos planos que não se tornaram realidade, se é a sua ausência que toma seu lugar novamente ao meu lado ou o meu recorde em relacionamentos, mas não tive como conter as lágrimas ao desligar o telefone e não ter dado conta de pronunciar as palavras. Ou o fato de você ter percebido que eu não estava bem e ter ignorado ou quis deixar pra depois pra terminar suas coisas antes.
A meia hora não me contentou. Já se foram meia hora, uma, duas.... Na verdade a meia hora poderia significar uma eternidade. A noite toda. Não dependia de mim, nem de você. E saber disso me matava desde o instante que cheguei a essa conclusão.
Como eu queria te dizer: eu sinto sua falta e não queria passar essa sexta-feira sozinha em casa e com febre.