domingo, 17 de julho de 2011

Entre o ontem e o amanhã

As vovós eram aquelas as quais papai e mamãe podiam contar quando queriam um tempo só pra eles.
Elas cuidavam da gente. De mim e dos meus dois irmãos.
Temos tantas memórias felizes.


Uma delas fazia pão-de-queijo todo domingo e os parentes iam na casa dela pra comer e jogar canastra. Eu e meus irmãos brincávamos no meio daquela confusão e conversa de adulto da qual não fazíamos a menor questão de participar. Estávamos em um universo paralelo: a infância.


A outra vó, quando estava na cidade, fazia um almoço com gostinho de roça. Um tempero que eu nunca comi igual. A distância sempre separou a gente, mas sempre foi vó do mesmo jeito, apesar do temperamento difícil.


E agora, num mundo de verdade, dos adultos, somos eu, meus irmãos e meus pais que cuidamos delas.


Aquela do pão-de-queijo está aos nossos cuidados agora. Os papéis se inverteram. Temos que fazer comida, dar remédio e lembra-la do banho. A outra, inconsolável, busca o fim o mais rápido que dá conta.


E eu faço vários questionamentos enquanto é exigido de mim ser uma adulta a qual nunca fui.Por que tudo isso foi acontecer?Onde estão aqueles dias de paz e alegria?


Eu aguardo por eles.

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