segunda-feira, 13 de junho de 2011

Diferenças

Já tinha lido sobre essas diferenças. Mas elas não eram compatíveis com todos aqueles ideais românticos de filmes e livros. Ninguém falava sobre isso. Ninguém falava como muitos homens conseguiam separar trabalho de fim de semana, desejo de fidelidade e amor de sexo. Porque pra muitas mulheres isso tudo anda junto. É uma vida só. Uma pessoa só. Não tinha como separar, pensava. Ao pensar nisso tudo lembrava das sessões em que a terapeuta brigava pra deixar de auto-sabotagem. Pra parar de arranjar problema. E ao mesmo tempo tentava achar um porquê de fazer sempre isso. E estar sempre em crise. E lembrava da frase "isso é porque você ainda não se aceita", e duvida dela outra vez porque nem se conhece. É tanto medo junto. E o tal de confiar em si mesmo soa até como piada. E depois de pensar nisso tudo a dor no peito volta. Era o segundo calmante no organismo em menos de 3 dias. Tanta coisa foi falada naquele dia que pra ela significava alguma coisa. Tanta coisa que tenta expulsar, mas não dá conta. É uma mistura de tristeza com um pouco de raiva. Não raiva de uma pessoa, mas das coisas serem como são. Porque parte do seu idealismo vai por água abaixo quando vê que a natureza é otária ao fazer o homem e a mulher diferente quando toda a luta é pra ter direitos iguais. "Deveríamos ser iguais", insiste silenciosamente. E fica com raiva de novo, porque pra ela não há desejo com outra coisa ou pessoa. Nunca teve desde então. Pra ela, isso sempre foi sinal de desrespeito. E pensa" deve ser normal". E mais uma vez manda esse normal ir pra puta que pariu. E depois pensa o porquê de deixar isso estragar tudo. E fica com raiva mais uma vez.

quinta-feira, 2 de junho de 2011



Ao contrário dessa ditadura de relacionamentos silenciosa, o amor não precisa ser sinônimo de prisão.