sábado, 7 de maio de 2011

Já foi eu ali



Às vezes não é preciso do espelho pra ver como mudamos.
Perto do meu trabalho, às sextas-feiras, há sempre um grupo grande de roqueiros adolescentes fumando, bebendo e conversando.


Outro dia, em uma cidade não tão longe de Brasília, era eu ali. De saia xadrez, all star preto pintado de caneta bic e com cadarço listrado, meia rasgada, camisa de banda e cinto de rebite. Era eu ali tão sonhadora esperando o chato do ensino médio acabar e ir pra tão esperada faculdade de jornalismo. Era eu que já fui pra show sozinha só pra curtir a música. Era eu que passava tardes inteiras tocando violão e depois estourava os dedos na guitarra. Foi eu que tive umas duas bandas. Era eu que achava que cantava alguma coisa e não tocava quase nada. Era eu que não bebia uma gota de álcool nem tinha experimentado o sabor do tabaco.


E hoje era eu a patricinha tosca que andava entre eles. A "eu" de antes criticaria muito a "eu" de agora.
A gente não pensa que vai mudar. A gente simplesmente muda.


E sou eu quem usa rosa, sapato de salto e oxford e maquiagem. Quem usa vestido de flor. Sou eu quem não vê a hora de graduar em jornalismo. E quem não toca mais nada. Quem bebe e quase nunca frequenta shows de rock.

Um comentário:

Mulherzinha Sim! disse...

Gostei desse trecho: "A gente não pensa que vai mudar. A gente simplesmente muda".